Nina contraiu as sobrancelhas e virou o rosto bruscamente, esquivando-se do beijo.
A reação pegou Gustavo de surpresa, mas ele simplesmente sorriu, despreocupado. — Ainda de mal comigo, hum?
Contemplando as feições limpas, ainda que carregadas de uma frieza elegante, o coração de Gustavo vacilou, embora soubesse que aquele estava longe de ser o estado mais bonito de Nina.
— Assim você fica mais bonita. — Gustavo apertou levemente os cantos da boca de Nina, forçando um sorriso nos lábios dela. — Você fica maravilhosa quando sorri.
Nina virou o rosto e, acidentalmente, deparou-se com o reflexo das próprias covinhas no espelho, formadas pelo repuxamento forçado dos músculos da bochecha.
Seu interior foi tomado por um riso frio.
Quando ela sorria, ficava idêntica a Verônica. Era justamente por isso que Gustavo adorava quando ela o fazia.
Um enjoo súbito revirou seu estômago.
Num impulso rápido, ela o empurrou com força e bateu a porta de madeira do banheiro.
Ouvindo o som da tranca, Gustavo encostou-se na porta, cruzou os braços e balançou a cabeça com um suspiro.
Parecia que ele teria de apressar as negociações com a família Rocha e transferir Verônica e Léo para a sua outra casa na vila.
Senão, a sua Nina continuaria mergulhada em ciúmes, fazendo tempestade num copo d’água.
Ele não suportava as pirraças dela. Preferia a mulher dócil e submissa que lhe presenteava com sorrisos suaves.
Nos dias seguintes, Nina dedicou-se intensamente a aprimorar sua proposta, ajustando detalhes repetidamente e redefinindo a estrutura técnica. Assim que terminou o rascunho final, entrou em contato com Oliver Ferreira para marcar a apresentação do projeto.
Oliver, com seu ego habitual, não perdeu a chance de criticar. — Demorou mais do que eu esperava. Suas habilidades técnicas claramente caíram.
— Porém, estou disposto a te dar uma chance, desde que você consiga convencer todos os executivos seniores a utilizarem a sua proposta na licitação.
Nina segurou o telefone com firmeza. — Está insinuando que...?
— Apresente sua proposta na frente de todos os executivos. Deixe que sua competência fale por você.
Nina sequer pestanejou. — Certo.
— Quanta confiança. — Oliver reclinou-se displicentemente na cadeira, com as pernas longas cruzadas. — E se não conseguir agradar a todos?

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