O olhar dela estava carregado de expectativa, e Caio não hesitou por um segundo. Concordou ali mesmo: — Sem problemas! Amanhã mesmo você pode se apresentar na equipe do projeto!
Gustavo foi pego de surpresa e franziu os lábios, calado.
— Gustavo? Posso participar? — Verônica virou-se para ele, mais uma vez com aquele olhar esperançoso.
— Eu...
Antes que Gustavo pudesse articular uma resposta, Caio interveio, incrédulo: — Cara, não entendo por que você está hesitando. Todo mundo sabe o quanto a Verônica era excelente na época da faculdade. Além do mais, um projeto tão importante como o do Grupo Horizonte exige alguém de total confiança dentro da equipe.
O argumento pareceu fazer sentido para Gustavo, que acabou concordando: — Certo. Está bem.
Caio ergueu a taça novamente e lançou um sorriso malicioso: — A Verônica não é igual à sua esposa, que só serve para fazer comidinhas saudáveis. Ela é foda. Espera só pra ver.
— Caio! — Verônica balançou a cabeça, reprovando a atitude. — Pode me elogiar à vontade, mas não precisa rebaixar os outros!
Caio torceu o nariz, resmungando em voz baixa: — Mas eu não menti.
Gustavo soltou um suspiro, mas escolheu não dizer nada.
Eram dez da noite. Nina estava no escritório do quarto principal, redigindo os documentos para a licitação, quando escutou o som do carro estacionando no andar de baixo.
Gustavo e Verônica haviam voltado.
Para evitar qualquer interação desnecessária com Gustavo, Nina fechou seu notebook na mesma hora e o trancou na gaveta da mesa de cabeceira.
Aprendendo com o erro anterior, passou a trancar o computador sempre que precisava se afastar dele.
Gustavo subiu as escadas com a criança nos braços e despediu-se de Verônica no topo da escada. Seu corpo alto e largo se inclinou ligeiramente, preparando-se para transferir o menino para ela.
De repente, a criança, que estava dormindo tranquilamente, acordou em sobressalto. Esfregando os olhos, abriu o berreiro.
O instinto de Gustavo foi olhar em direção ao quarto principal.
O sono de Nina era leve; seria terrível se ela fosse acordada.
Agindo por impulso, ele abraçou o menino de volta, ninando-o com a voz baixa. — Calma, não chore, não chore.
Verônica sussurrou, encabulada: — Me desculpe. O Léo está muito apegado a você.
— Não tem problema. Eu o faço dormir.

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