O olhar de Nina vacilou por um instante.
Por que ele viera até ali perguntar isso?
Seu silêncio, no entanto, foi interpretado por Gustavo de outra maneira.
Culpa.
O olhar gélido de Gustavo parecia querer atravessá-la. Ele exigiu com a voz cortante: — Já que vocês se conheciam há muito tempo, por que você mentiu para mim?!
Agora ele duvidava até mesmo do verdadeiro motivo de Nina ter pedido o divórcio.
Não fora por causa da Verônica Barros, mas sim por Francisco Fontes!
A lógica distorcida dele fez Nina rir de indignação.
— Eu menti para você? Quando foi que eu menti para você?
— Foi a sua própria mente pequena que julgou impossível uma mulher da minha origem ser uma velha conhecida de Francisco Fontes.
Ela respirou fundo: — Não se faça de vítima. Com quem eu convivi não é da sua conta, você não tem o direito de se meter na minha vida!
— Eu não tenho direito? — O peito de Gustavo subia e descia violentamente. — Vocês eram amantes e eu ainda não tenho direito de me meter?
O olhar de Nina tornou-se afiado em um instante.
— Quem te disse que nós éramos amantes?
Gustavo zombou: — E não é a verdade?
Obviamente não.
Fora apenas um amor platônico e unilateral da parte dela.
Mas, é claro, Nina jamais admitiria isso. Apenas disse com leveza: — Naquela época nós éramos vizinhos, só éramos amigos de infância.
— Depois a família Fontes o buscou, e ele ficou sumido por dez anos. Nós só nos reencontramos este ano.
Nina fez questão de explicar não por ainda se importar com Gustavo, mas por não querer manchar a reputação de Francisco.
Ela sabia muito bem o porquê de Gustavo estar ali com o rosto ruborizado de raiva.
Tratava-se apenas da desconfiança de que ela tivera um caso com Francisco durante o casamento e lhe dera um par de chifres.
Hmph, quanta hipocrisia.
Ele mesmo tinha levado o seu grande amor para a cama, e agora se sentia no direito de suspeitar da fidelidade dela?
A baixeza de Gustavo era muito superior ao que Nina jamais havia imaginado.
Depois de terminar o seu discurso, Nina se dirigiu a Gustavo: — Não sei quem andou te envenenando, mas não há nada de impuro entre o Francisco e eu. Nós nunca ultrapassamos os limites.
— Mas tome cuidado com o linguarudo que andou espalhando esses rumores para você.
— Você deve saber melhor do que eu a real intenção dessa pessoa de ficar causando brigas entre você e a Torre Horizonte.

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