Ouvir Gustavo se desculpar duas vezes seguidas a deixou em choque.
Nina mal podia acreditar naquilo.
O homem sempre tão orgulhoso agora aprendera a se curvar e a pedir desculpas.
Uma pena, era tarde demais.
Nina chacoalhou a cabeça de leve: — Não precisa se desculpar, afinal, nós já não temos mais nenhuma relação.
Gustavo sentiu um aperto no peito.
— Estive pensando, se você aceitar, eu posso contratar um motorista particular...
— Eu não aceito.
A voz de Nina estava fria e seca: — Gustavo, por favor, pare de me importunar.
Ela se virou para sair de novo e Gustavo a agarrou pelos ombros.
A saudade estava acabando com ele, e a sua única vontade era prendê-la um pouco mais consigo, ainda que fossem apenas por dez minutos.
Gustavo pensou e pensou sobre que assuntos podiam conversar, quando de repente se lembrou de Natália e do pai de Nina.
O brilho tomou os seus olhos e ele disparou como se tentasse ganhar pontos: — Nina, alguns dias atrás o meu sogro veio me ver.
Nina estancou em choque: — Meu pai foi ver você?
— Sim, ele foi checar se os boatos do divórcio eram verdade.
Marcos Almeida era realmente...
Nina imaginava ter sido suficientemente explícita e clara. Não atender às ligações era o seu modo de mostrar a sua decisão à família.
Ela jamais imaginaria que seu pai agiria por impulso e iria atrás de Gustavo Mendes por conta própria.
— E o que você disse?
— Falei a verdade, mas o garanti de que nós faríamos as pazes em breve.
Fazer as pazes?
Nina sorriu zombeteira: — Isso não vai ser necessário. Na próxima vez que ele vier te assombrar, faça o favor de expulsá-lo imediatamente.
— Nós nos divorciamos, ele não é mais o seu sogro. Eu te aconselho a manter distância deles, mas caso insista nessa loucura, que arque com as consequências.
O aviso de Nina, porém, soou muito frio e egoísta para Gustavo.
— Nina, afinal de contas, ele é o seu pai de sangue. Vocês são pai e filha, não inimigos mortais.
Gustavo, no fundo, sabia de todo o descaso, da extorsão e dos golpes manipuladores de Marcos Almeida e Sandra Duarte.
No entanto, por mais que a convivência familiar fosse complicada, não havia sentido em virar as costas para a própria família.
— Não tente me dar sermão de moral sem calçar os meus sapatos antes.

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