Entrar Via

Divorciada No Dia Do Meu Casamento romance Capítulo 336

Quando empurrou a porta para entrar no quarto, ouviu apenas o zumbido de algo cortando o ar antes de uma tigela de porcelana atingi-la bem no meio da testa.

Deitado na cama, Marcos Almeida fuzilava-a com um olhar de profunda revolta, com sua voz carregada da raiva enquanto murmurava sem muita clareza:

— V... v-vadia! P... Pra onde c-cê foi? Q-quer me m-m-matar de f-fome?

Manteve-se à espera de Sandra no quarto desde o início de sua refeição, e agora que se passara mais de meia hora, a criatura ainda não tinha retornado.

Na ronda de inspeção, implorara à enfermeira que cuidasse de alimentá-lo no lugar de sua esposa.

Mas o pedido fora prontamente recusado.

A justificativa dada foi de que sua esposa seria muito rigorosa. Caso algum desastre ocorresse em meio à alimentação, ela seria capaz de atentar contra a reputação de todo o hospital. Ela não se envolveria naquilo.

Sua esposa logo criara fama entre a equipe desde a internação de Marcos; se havia algum erro por parte deles, era garantia de escândalos.

Ela mantinha seu método usual de subornar a paz com ameaças frequentes.

Num cenário como o qual atuavam, nenhum profissional prezaria mais que evitar tumultos ou acusações da parte de acompanhantes de doentes.

A sabedoria do dia a dia ditaria: quem evita trabalhar não seria punido por eventuais falhas.

Consequentemente, Marcos passara todo esse tempo consumido pela fome. A ira alimentada resultara num impulso de atirar-lhe a tigela vazia ao seu retorno, por sua fúria que escapava do controle.

Como o imbróglio financeiro de Diogo a matinha tensa e apreensiva, com sua cabeça abarrotada de inquietações e o estresse que acompanhava sua mente esgotada, a atitude violenta de Marcos levou-a ao seu ponto mais frágil.

Sem tolerar aquele ambiente num segundo sequer a mais, ela mandou tudo ao ar:

— Arrume quem você quiser pra te servir, porque eu não vou mais!

Restrito à própria imobilidade, com fúria crescente nos olhos, Marcos soltara um resmungo gutural:

— V-va... va...

Antes de concluir a sílaba "dia", a maçaneta girou ferozmente e um imenso estrondo de porta batera, cortando a palavra ao meio.

No afã de tentar pular da cama, Marcos esquecera o fato cruel de que quase toda a extensão de seu lado direito encontrava-se parcialmente paralisada. Todo seu corpo mergulhou numa queda abismal que esmagara a pele de seu rosto contra o chão rígido.

Sandra Duarte, em meio a toda sua loucura que precedera tal embate conjugal, chamou por um táxi do lado de fora do hospital, encaminhando-se ao modesto apartamento que Diogo Jardim alugava no subúrbio.

A despeito dos altos ganhos financeiros decorrentes dos passeios que efetuara a clientes ricas, parte massiva da renda do garoto de programa seria canalizada aos parentes no interior. Por conseguinte, restava-lhe residir num edifício lúgubre e sucateado.

Afinal de contas, também fora nesse mesmo cenário, na boate, que um dia se condoeu por ele, elegendo sua presença de forma assídua entre todas as possibilidades que lhe eram ofertadas.

Sua história envolvia sofrimentos oriundos de um contexto análogo; os dois dispunham de traços semelhantes o bastante que permitiam um vínculo amparador, num período curto e de mútua subversão íntima.

Ao subir os cinco andares, bateu na porta até Diogo a atender.

Aliviando sua respiração, a mão dela pousou próxima ao próprio peito, num momento de profunda felicidade consoladora.

— Graças aos céus você ainda não saiu.

Ocorre que, no mínimo pisar no chão do local, sentiu instantaneamente o bafo cortante exalado por licores fortes.

— Você estava bebendo?

Diogo acenou, confirmando o palpite, esfregando e machucando as beiradas frouxas da camisa em apreensão:

— É a primeira vez, confesso o pavor que eu senti.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Divorciada No Dia Do Meu Casamento