Provavelmente, só questões relacionadas a Verônica poderiam fazê-lo perder a linha.
Os dois ficaram ali se olhando em silêncio, nenhum dizia nada.
A atmosfera no ar ficou tensa e sufocante de uma vez só.
De repente, a corda no ar foi puxada.
Gustavo arrastou a cadeira e sentou na frente de Nina, com um tom de voz descontente: — O que você fez desta vez foi realmente longe demais.
Nina já havia perdido qualquer vontade de se explicar. Abaixou a cabeça, e seus cílios longos e curvados deixaram uma sombra no rosto: — E então?
— Vá pedir desculpas ao Léo e a Verônica, e vamos encerrar esse assunto por aqui.
Ao ouvir aquele tom de quem concedia a graça divina, Nina sorriu.
— E se eu disser que não?
— Nina!
Gustavo franziu as sobrancelhas e sua voz instantaneamente ficou mais fria: — Pare com os chiliques!
O sorriso de Nina ficou ainda mais radiante e ela deu de ombros: — Até hoje não entendo o que fiz para você achar que dou chilique. Gustavo, por que você não me diz?
Com uma expressão de chumbo, Gustavo jogou no chão o terno que trazia pendurado no braço.
— Você sabe o quanto de tempo o Léo passou na sala de emergência ontem à noite? Sabe o quão angustiante foi ver ele encolhido naquela maca de hospital? Sabe o quanto a Verônica estava arrasada? Você...
— Gustavo, vamos nos divorciar.
Gustavo travou, pensando que não havia escutado direito.
— O que você disse?
Nina deu um suspiro profundo e secou as lágrimas fisiológicas incontroláveis com as costas da mão, dizendo com uma voz suave: — Vamos nos divorciar. Eu deixo o caminho livre para você e Verônica.
Gustavo ficou atônito por alguns segundos. Parecia que alguém estava apertando o seu coração com força e ele estava até com dificuldade para respirar.
Depois de um momento, ele caiu em si.
Falando besteira por estar brava e com ciúmes de novo.

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