Marcos Almeida e Sandra Duarte esfregaram as mãos e sorriram sem graça.
— Nina, Gustavo.
Gustavo Mendes sentou-se no sofá com uma postura preguiçosa e chamou em tom suave:
— Pai, mãe.
Marcos e Sandra se entreolharam, sentindo-se lisonjeados de imediato.
Ser chamado de pai e mãe pelo homem mais rico de Marazul era uma honra imensa!
Marcos esfregou as mãos.
— Bem, já faz um tempo desde o casamento de vocês, e como vi que não tinham tempo de nos visitar, pensei em virmos nós mesmos dar uma olhada.
Gustavo sorriu levemente, puxando a mão de Nina com naturalidade e entrelaçando os dedos aos dela.
— A culpa é minha. Nós deveríamos ter feito a visita tradicional após o casamento, mas a empresa esteve tão corrida que não consegui arrumar tempo. Assim que as coisas acalmarem, mandarei preparar alguns presentes generosos e irei pessoalmente com a Nina pedir desculpas.
Ele dizia que a culpa era dele, mas seu rosto não mostrava o menor sinal de arrependimento.
E ao mencionar 'presentes generosos' de propósito, ele só queria atrair a atenção do casal. Gustavo sabia o quanto os pais de Nina eram gananciosos e vaidosos, e o quão pouco se importavam com a filha; bastava oferecer um pequeno benefício para que esquecessem qualquer ressentimento.
Nina cerrou os punhos.
Em três anos, pela primeira vez ela percebeu com clareza que, no fundo, Gustavo desprezava o pai e a madrasta dela.
E, muito provavelmente, a desprezava também.
— Que isso, que isso — Sandra respondeu assim que ouviu a menção aos presentes, seus olhos brilhando de ganância enquanto acenava com as mãos de forma bajuladora. — Os assuntos da empresa são mais importantes. Essa história de visita não importa nem um pouco.
Como era de se esperar, exatamente como Nina havia imaginado.
Gustavo virou-se levemente para olhar Nina, seu rosto suave e impecável não revelando qualquer defeito.
— Fico feliz que não nos culpem. Nina, o que você acha?
Ele apertou as costas da mão de Nina, com um sorriso afetuoso. Ela baixou os olhos, encarando os dedos entrelaçados dos dois, e não pôde evitar um sorriso frio.
Quando foi que ela e Gustavo chegaram ao ponto de precisar encenar para os outros?
Ela tentou puxar a mão, mas não conseguiu, sentindo-se irritada. Virou-se para o pai e foi direta:

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