Gustavo estava petrificado.
Ela havia aceitado tudo assim tão fácil? Sem choro nem birra, e apenas queria saber qual era o endereço da sua próxima moradia?
De imediato, o pânico bateu no coração de Gustavo:
— Nina. É só por pouco tempo...
— Eu sei que é apenas passageiro. Você irá buscar-me rapidamente. Já repetiu várias vezes. — Nina ergueu os ombros e forçou um sorriso pálido.
Parecia que havia algodão obstruindo a garganta de Gustavo. Ao buscar as palavras, nada vinha e a aflição o corroía no âmago.
Nina estava tão razoável e submissa, ele deveria estar eufórico, não?
Não precisaria se quebrar entre dois caminhos e espremer-se entre os rochedos para dar a ela o tratamento de rainha. Ele deveria estar nas nuvens, mas só se afundava num lodaçal.
— Destranque o carro — ela solicitou.
Gustavo fez como um robô, destravando a porta. Nina saiu batendo a porta sem hesitar e nem olhar para trás.
Ao redor do candeeiro da rua, Gustavo assistiu às costas dela sumirem aos poucos, se diluindo nas trevas profundas da noite.
Do nada, ele partiu feito louco atrás dela, agarrou o seu braço e a aninhou num grande abraço.
— Nina. Me desculpe. Fiz coisas imperdoáveis contra você.
Nina: ...
Ela definitivamente não conseguia entender a mente do Gustavo.
Ela estava sendo expulsa da casa dele e recebendo um pedido de desculpas em seguida.
Era tão envolvente a sua atuação fingida?
Nina deixou de expressar qualquer resquício de afeto, levantou e desvencilhou-se de seu abraço:
— Está tarde. Preciso guardar as malas.
Assim que bateu o pé no chão da mansão, reparou que Verônica brincava com seu filho.
Quando Léo deu de cara com Nina, correu como um ratinho assustado para o colo de Verônica, escondendo o rosto.
Nina riu intimamente. Será que o pequeno esbarrara numa cena de crime, em que ela estava tirando a vida de alguém? Por que ele ficara com os nervos tão frouxos assim?
Aquele ímpeto furioso de devorar o mundo tinha desaparecido para onde?
Ou talvez...
Alguém o ensinara a ser assim?
Ela calçou chinelos e mirou os olhos para Verônica.
Na calada da noite, a mulher não vestia calças largas e folgadas. Estava ostentando um vestido sedutoramente ajustado às suas formas estonteantes. O seu belo e acentuado colo exposto mostrava um claro propósito para aquilo.
A intenção era visível.
Abraçada a Léo, Verônica proferiu de modo manhoso e vitimado para Nina:
— Srta. Almeida, despeje toda a ira em mim. Mas não assuste o Léo. Ele já levou grandes sustos antes. O médico aconselhou que não passe por qualquer episódio abalador.

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