O carro parou aos poucos.
Gustavo se virou para olhar para os belos olhos de Nina, um pouco embaciados.
— Ainda chateada comigo?
— Não. — Ela balançou a cabeça. — É que isso é valioso demais, não é certo eu aceitar.
— Por que não é certo? Considere um presente para seu futuro filho.
Nina franziu a testa. Será que ele ainda queria ter um filho com ela?
Ao vê-la agir daquela maneira, Gustavo sorriu, dando um leve beliscão em sua bochecha.
— O que foi? Não quer ter filhos? Não era o seu maior sonho antes?
Claro que ela queria, mas esse era o pensamento de antes.
Ninguém sabia que naquela noite, quando Gustavo disse a ela que queria que tivessem um bebê, ela ficara tão empolgada a ponto de perder o sono a noite toda.
Mas com todas as decepções sucessivas, culminando no retorno de Verônica, Nina percebeu de vez que Gustavo não a amava nem um pouco, e que aquela ideia de ter um bebê passara apenas de um devaneio momentâneo.
Ela era como um gato, ou um cachorro, que ele alimentava; quando ele queria brincar, ele ficava com ela, mas quando não estava no clima, nem sequer se lembrava dela.
De fato, a verdadeira dona do coração dele estava de volta. Como ele iria ligar para uma mera substituta?
— Nina... — A voz de Gustavo a tirou dos seus devaneios, e ela se virou lentamente.
Subitamente, Gustavo pegou as mãos de Nina, de forma respeitosa, e as beijou.
— Nina, eu estou ansioso para ter um bebê com você.
Nina calou-se.
Não muito tempo atrás, ele disse que não pretendia isso a curto prazo.
Ela já não sabia mais o que era verdade no que ele dizia.
Ela não iria acreditar em mais nada que saísse da sua boca.
A luz já caía, as lâmpadas da cidade acenderam e o carro encostou no pátio da mansão.
Nina soltou o cinto para descer, mas percebeu que as portas estavam trancadas. Ela se virou e observou o quão descontraído Gustavo estava em seu assento, sem qualquer intenção de descer do veículo.

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