— Diretor Mendes, por favor, tenha modos — Nina empurrou sua mão, opondo forte resistência às suas tentativas de carinho.
Ao lado, Oliver acompanhou a cena, o seu desprezo evidente.
Gustavo, por sua vez, captou a sua hostilidade e rebateu com autoridade: — Diretor Ferreira, a Nina é a minha esposa. Ela não passa de uma leiga no que diz respeito ao mundo corporativo. Por favor, tenha a paciência de aconselhá-la caso traga algum incômodo ou transtorno no ambiente de trabalho. Se ela fizer algo de errado, pode me procurar diretamente. Independentemente do que seja, assumirei a culpa por ela.
Tsc, tsc, tsc. Mas que noivo afetuoso.
— Quanta consideração de sua parte, Diretor Mendes. Mas não se preocupe, Nina é incrível e não vai precisar que você a acuda — zombou Oliver.
Gustavo afrouxou um pouco a gravata. — É mesmo? Que bom, então.
— Gustavo, temos de encontrar um cliente logo, vamos voltar pra empresa — chamou Verônica de um lugar próximo, com a sua doce voz.
— Tá bom — anuiu ele.
Dirigindo a Nina um olhar demorado, ele concluiu: — Quando as minhas ocupações acabarem, vou te ver em Vila Serena.
— Não precisa. Eu estou muito bem sozinha.
— Nina, não seja teimosa.
— Ainda não foi embora? A sua Verônica está desesperada — devolveu Nina, com escárnio.
Emitindo um suspiro de derrota por fim, Gustavo caminhou em direção a ela: — Vamos.
Quando chegaram ao térreo, descobriram que havia uma tempestade intensa lá fora.
Em Marazul, o clima na primavera era assim. As chuvas eram intermináveis.
Ninguém previa tal aguaceiro, de modo que tampouco haviam trazido guarda-chuvas.
O carro estava estacionado no pátio a algumas centenas de metros dali. Um coro de suspiros aflitos tomou conta da porta de entrada.
Gustavo, por outro lado, precisaria encontrar-se com um cliente dali a pouco. Sendo alguém sempre pautado pela própria conduta, não tinha o hábito de deixar os outros à espera.
Percebendo, Verônica retirou o seu blazer. — Gustavo, use isto pra se proteger. Tem um encontro daqui a pouco e não pode molhar as roupas.
— Tsc, tsc, tsc — brincou Caio, por perto. — Por que você está tratando ele diferente? Eu também preciso dos seus cuidados!
— Você não tem que encontrar com nenhum cliente, pode ficar por aqui até a chuva estiar sem nenhuma pressa — riu ela.
— Quem disse que não tenho pressa?

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