Oliver arqueou levemente a sobrancelha e olhou de relance para Nina.
Sério que era isso?
E era esse tipo de traste que tinha roubado a alma de Gustavo?
Nina: ...
Percebendo que Oliver sequer olhava para ela, focando apenas em Nina, Verônica soltou, em tom sugestivo: — Houve um pequeno mal-entendido entre a Srta. Almeida e eu há um tempo. Talvez isso tenha feito o Diretor Ferreira ficar com uma má impressão de mim. A verdade é que a Srta. Almeida e eu...
— A Srta. Barros está imaginando coisas — Oliver franziu a testa e cortou-a. — A Nina nunca sequer mencionou o seu nome pra mim.
A feição de Verônica ficou azeda: — Ah, é? Que bom, pois foi mesmo um mal-entendido.
E perguntou em seguida: — Diretor Ferreira, qual é o número de vocês? Eu tirei a sorte grande com o número quatro.
— Dá azar — respondeu Oliver, franzindo a testa.
Verônica: ...
A sua cara estava quase rachando de tanta humilhação.
Ela finalmente tinha entendido. Oliver não ia com a cara dela, e o mais provável era que Nina houvesse falado mal dela pelas costas.
— Srta. Almeida, sei que tem raiva de mim, mas... não tive escolha. Se quiser, bata em mim, me xingue. Faria qualquer coisa pra que pudesse aliviar o que sente — os olhos de Verônica de repente ficaram vermelhos, prestes a chorar.
Oliver abanou o ar com a mão.
O fedor de falsidade estava insuportável.
Nina: ???
Mas que tipo de encenação era aquela?
— Pff, onde já se viu eu te bater ou xingar? Se acha mesmo que me deve desculpas, dê você mesma um tapa na própria cara.
— Eu... eu sabia, você me odeia de verdade — estremeceu Verônica.
— É claro. Vai logo.
O constrangimento a queimava de vergonha.
Nina cruzou os braços, curiosa para ver até que ponto ela levaria aquele teatro patético, mas acabou se decepcionando.
— Nina!
Em vez do tapa que Verônica daria em si mesma, quem apareceu foi Gustavo, com a sua voz carregada de alerta.
Pff, agora tudo fazia sentido. O repentino teatro de Verônica acontecera unicamente pelo fato de Gustavo estar observando.
Aquela tática funcionava sempre.
Gustavo posicionou Verônica atrás de si para protegê-la. O seu rosto belo e sombrio encarava Nina. — Fui eu quem mandou você ir embora. Se está insatisfeita, venha se entender comigo!
Nina soltou uma risada fria.

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