— Que isso, Diretor Fontes — sorriu ela, forçada e falsa, fingindo complacência.
Através do vidro do carro, Francisco observava aquele sorriso de Nina que não alcançava os olhos, os lábios dele curvando-se num sorriso de zombaria.
Quando pequena, ela era tão sincera. Quem diria que, ao crescer, começaria a usar essas falsidades com ele.
Na entrada da estação de metrô, o Rolls-Royce parou lentamente.
O motorista, Sr. Chagas, tinha um olhar afiado. Quando é que o seu patrão fora tão atencioso com uma garota?
As dondocas da elite da capital sempre se jogavam aos pés do patrão, e ele sequer se dava ao trabalho de olhar para elas.
Apesar da atmosfera opressiva e sufocante dentro do carro, e do fato de o seu patrão não estar fazendo uma cara amigável para a garota à sua frente, o Sr. Chagas, movido por sua intuição, tinha quase absoluta certeza.
A relação entre os dois não era nada trivial.
— Srta. Almeida, fique com o guarda-chuva por enquanto — o Sr. Chagas acompanhou Nina até a entrada do metrô e enfiou um guarda-chuva novo nas mãos dela.
— Isto... então, devolvo o guarda-chuva outro dia — disse Nina, abaixando o olhar.
— Pode devolvê-lo para o nosso patrão — sorriu o Sr. Chagas, amigavelmente.
Dizendo isso, ele deu meia-volta e se afastou rapidamente.
Havia um quê de quem tinha cumprido a sua missão e partia silenciosamente, ocultando os próprios méritos.
Assim que entrou no carro, o Sr. Chagas tomou a iniciativa de se gabar: — Patrão, pedi à Srta. Almeida que devolvesse o guarda-chuva pessoalmente ao senhor mais tarde.
— Intrometido! — lançou Francisco, com um olhar gélido.
Sr. Chagas: ...
A mente do chefe era mesmo um enigma indecifrável!
O carro deu a partida e logo se integrou ao trânsito. No entanto, devido à chuva, a avenida principal estava completamente parada, transformando um trajeto de meia hora em árduos cinquenta minutos até chegar em casa.
Quando o carro entrou no condomínio, o Sr. Chagas vislumbrou de repente uma figura familiar.
Os seus olhos brilharam: — Patrão, é a Srta. Almeida!
Sentado no banco de trás, a ponta dos dedos de Francisco pausou e ele abaixou o tablet que tinha nas mãos.
Lá fora, a chuva havia parado, mas a umidade era densa, e uma leve névoa pairava no ar.
Através da névoa, Francisco fixou o olhar nas costas finas e elegantes que adentravam a casa.

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