Voltando para casa completamente molhada, Nina foi primeiro ao banheiro tomar um banho, comeu algo qualquer no jantar e, em seguida, deitou-se na cama exausta, encolhendo-se como uma bola.
Mas, por mais que tentasse, não conseguia dormir.
Bastava fechar os olhos e o rosto frio e distinto de Francisco surgia em sua mente.
Inconscientemente, ela apertou as cobertas.
Acreditava que nunca mais o veria nesta vida, mas o destino tinha que brincar com ela...
Enquanto Dona Helena, avó de Francisco, ainda estava viva, Nina não havia perdido as esperanças e frequentemente visitava a vila no interior para ver a idosa, torcendo por uma chance de vislumbrar Francisco. Queria perguntar-lhe pessoalmente o que ele desejava dizer naquela noite.
Porém, quando a avó de Francisco faleceu, ninguém da família dele apareceu. Os vizinhos da vila cuidaram do funeral da idosa.
Com isso, qualquer esperança que Nina pudesse nutrir foi completamente destruída.
Fora a data de falecimento de sua própria mãe, ela não voltava mais à vila.
Depois de revirar-se na cama por um tempo indeterminado, Nina finalmente adormeceu.
No sonho, pareceu retornar àquela noite: Francisco havia mandado um bilhete dizendo para ela esperá-lo no bosque atrás da escola, pois ele tinha algo a dizer.
Mas, naquela noite, ele quebrou a promessa e não apareceu.
— Francisco...
— Francisco, por que você não foi...?
— Nina? Teve um pesadelo? Não tenha medo.
Uma voz suave como jade despertou Nina do sonho. Ao abrir os olhos, descobriu que estava deitada em um peito quente. Piscou, sem conseguir distinguir o sonho da realidade.
— Acordou?
Nina ergueu a cabeça e olhou para cima. Era Gustavo.
Seu rosto ficou frio instantaneamente. Ela recuou, puxando o travesseiro para encostar as costas, criando uma distância invisível entre os dois.
— Por que você está aqui? — Nina franziu a testa, a voz levemente rouca. — Onde conseguiu a chave?
Assim que falou, ela mesma se surpreendeu. Estava resfriada.
Pelo visto, a chuva da noite anterior cobrara o preço.
A repentina ausência do aroma dela fez Gustavo hesitar por um instante, antes de acariciar a cabeça de Nina.
— Peguei a chave com a Dona Odete. Qual o nome da pessoa que você estava murmurando agorinha mesmo?

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