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Doce Pecado romance Capítulo 106

Paulo Niko Sankyo

-Fala...

Estamos no meu ansioso, eu e Bê. Pedi para que a camareira trouxesse o almoço para nós. Ele chegou a quinze minutos, se sentou e começou a comer sem dar um pio.

Bernardo quando quer, é difícil.

-O que... -Ele me pergunta sem me olhar.

-Porque está tão distante?

Ele suspira e me olha.

-Nada Paulo... Eu só estou curtindo os últimos dias com a Camila. Estamos transando e jogando muito...

Eu levanto uma sobrancelha pra ele.

-É só isso mesmo?

-Só... Você desvia está fazendo o mesmo, já que não tem certeza se Sabrina vai renovar…

-Eu estou curtindo Sabrina... Mas nem por isso estou estranha com meus amigos. E seu irmão?

-O que tem ele...

-Meu pai me disse que ele chega mês que vem.

-E daí?!

Ele toma um gole do suco e continua concentrado na comida.

-Bernardo... Fale comigo...

Ele suspira novamente, doido para me xingar. Não tem como fugir, irmão... Não reparou ainda?

-Eu não estou a fim de falar sobre isso japonês. Ela vai vir? Beleza! Os velhos estão animados com isso? Beleza! Não tenho mais nada para falar sobre isso...

-Como se sente ao ver seu irmão depois de tantos anos? Porque você sabe que mesmo que não vá na festa, vai estar com ele.

-Eu me sinto um fodido!!Principalmente se começarem a puxar o saco dele. Parece que sou um adolescente novamente.

-Você vai à festa?

-Eu vou está sem submissa Paulo! Já era difícil chegar numa festa em homenagem a William e sua família linda e imensa, com direito a uma esposa e dois filhos que eu nem conheço. Imagine chegar desacompanhado.

-Nós vamos , Bernardo.

-Até segunda ordem, acompanhados... Percebe que aos olhos do meu pai agora, eu sou um perdedor duas vezes? Eles estavam construindo castelos de areia com Camila, não que eu tenha dado alguma esperança para eles. Nunca dei, mas você sabe bem como é isso...

-Você nunca se importou com isso, porque se tivesse se importado, tinha revisto seus limites em relação a Camila.

-Nunca me importei mesmo. Não acredito em feliz para sempre para mim, porque nunca me apaixonei. E não sou como vocês... Que mudam de opinião de uma hora para outra.

Eu me irrito.

-Já te disse que você é cabeça dura e ignorante?!

Claro que sim... Eu sou um que vivo falando isso para ele.

Ele gargalha.

-Me conte uma novidade Paulo. Fui criado para ser assim, me disse aos dez anos que homem não chora e que ele precisa matar um leão por dia se quer ser bem sucedido...Não é minha culpa...

-Você precisa de terapia Bernardo... Parar de justificar tudo que você faz, como se fosse culpa de seu pai. Você é um adulto agora! Sua vida, suas atitudes e suas consequências.

- E eu pedi sua opinião? Eu estava bem quietinho na minha, mas foi me atacar pra vir aqui. Se a terapia resolvesse algo, Sabrina estaria renovando com você agora.

Eu suspiro... Ele tem razão... E acho que não vai mudar nunca.

Estamos tendo as melhores semanas de nossas vidas e ela continua com aquele semblante triste e pensativo.

Finjo que não ouvi a última frase, e retorno o assunto, porque eu sei que ele precisa falar, para se sentir melhor. Bernardo ataca, para que a gente se estresse e desista, e ele não fale dos seus problemas. Comigo não...

-Você sabia que seus pais iam cair em cima de você, se não renovasse contrato com Camila.

Ele concorda.

-É, mas estou sem saco... Estou pensando seriamente em emendar uma submissa na outra. Igual você faz... Só pra não ouvir o blá blá blá da minha mãe... e meu pai dizendo que eu não tenho nem competência pra manter uma submissa ao meu lado.

-Você não está nenhum pouco abalado com a partida da Camila? Seja sincero...

-Claro que sim... Também não sou um ogro sem coração. Vou sentir falta dela, afinal estamos juntas a 1 ano... Mas eu entendo a menina... Até estou ajudando ela na parte burocrática da loja. É um sonho Paulo. Eu não posso tirar isso dela...

-Porque você não aceita então, que ela tem a loja estando em contrato com você?

Falo irritado:

-Eu te chamei aqui para você me distrair, não pra me puxar para o fundo do poço. Você está parecendo seu pai...

- Eu te disse que não estava bem para confraternizar, mas você insistiu... Filho de peixe, peixinho é... -Ele toma um gole do suco e fala. -na verdade meu humor anda péssimo... É muito problema na minha cabeça.

-Seu pai voltou a tocar no nome do seu irmão, mesmo você não indo lá?

Bernardo só se abre se fazemos ele falar. E eu sei que ele precisa disso... Todo mundo precisa desabafar. Não faz bem ficar guardando coisas para si...

Ele nunca vai me dizer que está chateado, não abertamente. Mas deixa escapar seus problemas numa conversa, deixando bem claro que não está abalado para que ninguém precisa se preocupar com ele. Acho que o único que faz ele se abrir do jeito que tem que ser, é tio Armando. Mais na falta dele... Eu faço as honras. Sei que ele precisa disso.

-Sim... Ele era como se eu e Willian fossem muito amigos. Quer que eu vá ao aeroporto recepcionar ele e sua família, quer que eu vá na festa, quer que eu apresente o hospital a ele... E quando digo que não vou fazer nada disso, ele muda de assunto. Não voltou a me ameaçar novamente, parece que Tio Armando falou algo para ele, que deu certo. Mas ele me ignora... Ignora o que eu quero... E isso me irrita... Muitas vezes desligo o telefone na cara dele ou não atendo.

-Por isso que está assim?

-Desculpa Paulo... Na verdade eu não estou com cabeça pra ajudar você com seus dramas com Sabrina, e nem Arthur com o deles. Eu preciso de um pouco de espaço, sabe? Pensar por mim mesmo...Descobrir se quero ter relações com meu irmão... Descobrir se vale a pena continuar com essa relação tumultuada com meu pai, ou não seria melhor me afastar de vez... Eu preciso descobrir se quero outra submissa assim que Camila vá embora, ou se quero um período sabático. Eu quero descobrir se vale a pena me manter no hospital, mesmo correndo o risco de dar de cara com meu irmão prodígio todos os dias. As pessoas se esquecem que eu também tenho meus dramas para absorver e resolver. Só porque eu sou bem humorado, isso não quer dizer que eu não tenha problemas.

E acontece o que eu previa...

Ele desabafa...

Por ele ser assim, achamos que ele leva os problemas numa boa...

Na verdade, esquecemos que ele também é um ser humano com suas particularidades. Ele sempre era como se não importasse com as coisas. Ele também tem inseguranças, ele também tem dias ruínas...

Seguro no ombro dele e digo.

-Se sente melhor?!?!

Ele ri...

-Não é que sim?!?! A dor de cabeça até passou.

-É sempre bom desabafar irmão... Sem correr risco de ser julgado... E você sabe que pode contar comigo né...

-Sei... -Ele me olha com carinho. -Eu estou abalado com tudo que anda sentindo... Me preocupei com o sequestro de Duda e estou triste por você e Sabrina. Não é porque eu estou na minha que não me importa. Eu só não estou com a cabeça, Paulo.

-Eu sei mano... Eu sei...

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