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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 1

O consultório era branco demais.

Pálido como a expressão de Rafael enquanto fechava a porta atrás deles.

Lorena permaneceu de pé, os braços cruzados contra o próprio corpo, como se precisasse se manter inteira para não se despedaçar. O silêncio entre os dois era pesado, sufocante, quase físico.

- Repete - ela pediu, a voz rouca. - Repete o que você acabou de dizer.

Rafael afrouxou o nó da gravata, um gesto automático, carregado de impaciência.

- Já expliquei. Não houve sexo. Não houve traição no sentido. Foi fertilização in vitro. Eu não te traí.

Ele falou como quem explica algo simples. Técnico. Frio.

Como se estivesse apresentando um relatório, não destruindo o relacionamento deles.

Lorena fechou os olhos por um segundo.

E o passado veio.

Rafael ajoelhado no chão frio da casa dos avós dela.

A chuva fina molhando seus cabelos, o olhar desesperado, a voz firme apesar do joelho cravado no chão.

- Eu não quero filhos, Lorena. Eu quero você. Só você.

O estômago dela se contraiu.

- Você vai ter um filho com outra mulher - disse, abrindo os olhos. - Como você chama isso então?

- Responsabilidade - Rafael respondeu sem hesitar.

Ele deu dois passos à frente, ocupando o espaço como sempre fazia quando queria controlar a situação.

- Meu irmão morreu. Eu sou o único filho agora. A família depende de mim. Eu sou o responsável por tudo.

O coração de Lorena bateu descompassado.

Outra lembrança invadiu sua mente.

Rafael sentado ao lado da cama do hospital, segurando sua mão depois do acidente.

Os olhos vermelhos, a voz falhando.

- A gente supera isso juntos. Eu juro.

- Então é isso? - ela perguntou, a dor se transformando em algo afiado. - Você simplesmente acordou um dia e decidiu que precisava de um herdeiro?

- Não simplifica - ele retrucou, cruzando os braços. - Você sabe como a família Menezes funciona.

Lorena levou a mão ao estômago por instinto. A dor voltou - funda, insistente, conhecida demais. Desde que passara a morar na casa dos sogros, após o funeral do irmão mais velho de Rafael, seu corpo parecia ter começado a gritar aquilo que ela se obrigava a engolir todos os dias. Enfrentar o olhar hostil da sogra, suportar humilhações veladas e ainda fingir força para que o marido não se preocupasse tinham cobrado um preço. E agora, esse preço ardia dentro dela.

- Sei - respondeu, a voz trêmula, mas firme. - Sempre funcionou deixando claro que eu nunca pertenci.

- A família precisa de estabilidade - ele corrigiu, impaciente.

Lorena soltou um riso curto, sem humor.

- Você está me dizendo que acabou de perceber agora que eu sou infértil?

A palavra saiu como um soco.

Rafael desviou o olhar por um instante.

Um único instante.

Foi pior do que qualquer resposta.

Só haviam se passado três anos desde o pedido de casamento.

Ela ainda lembrava claramente do sorriso dele, da segurança na voz.

- Você é suficiente pra mim. Sempre foi.

- Não seja mesquinha - Rafael disse, perdendo a paciência. - As coisas mudaram. Você não pode ter filhos e eu preciso de um herdeiro. Nós vamos adotar essa criança assim que nascer…

Ele tentou segurar a mão dela.

Lorena se afastou como se fosse uma praga.

Dois 1

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