Rafael não demorou a descobrir.
- Hotel Central Plaza. Quatro estrelas. Centro antigo - Nelson informou, segurando o tablet. - Ela foi contratada hoje. Cozinheira.
Rafael não respondeu de imediato.
A mandíbula travou.
O olhar escureceu.
Ela não estava apenas fugindo.
Estava tentando começar uma vida sem ele.
- Ela começa quando? - perguntou, a voz baixa demais.
- Hoje. Turno do jantar.
Um sorriso frio curvou seus lábios.
- Então vamos jantar fora.
Nelson sentiu o pressentimento subir pela espinha.
- Rafael… o que você pretende fazer?
Ele ajeitou o paletó com calma calculada.
- Mostrar a diferença entre estar comigo… e estar sem mim.
***
No hotel, a cozinha pulsava.
Panelas chiavam. Facas batiam na tábua. O calor subia em ondas densas.
Lorena suava sob a luz forte, os cabelos presos, o avental marcado de respingos. Provava um molho, ajustava o sal, flambeava a carne com precisão quase coreografada.
Ela se sentia viva.
O primeiro problema veio por volta das oito da noite.
- Mesa quatorze devolveu o bife. Dizem que o ponto está errado.
Lorena respirou fundo. Refez.
O prato voltou.
- Agora o molho não agradou.
Ela refez outra vez.
Na terceira vez, não foi o garçom que entrou na cozinha.
Foi o gerente.
- O cliente é importante. Exige falar com o chef.
Lorena limpou as mãos no pano.
Primeiro dia.
Um cliente impossível.
Respirou fundo e saiu.
E então viu.
Rafael.
Sentado com elegância impecável.
Ao lado dele, Nina. Vestido claro, postura doce, expressão de surpresa ensaiada quando seus olhos encontraram os de Lorena.
- Lorena? Que coincidência…
Coincidência.
Rafael levantou os olhos devagar.



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