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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 100

O banho foi longo.

Dante ficou mais tempo do que o necessário embaixo da água fria, tentando apagar o fogo que ainda ardia na pele. A lembrança do toque dela, do calor, da forma como os dedos pressionaram o abdômen dele - tudo ainda estava ali, gravado na memória.

Quando saiu do banheiro, vestiu uma calça de moletom e uma camiseta simples. Desceu as escadas com passos lentos, a cabeça ainda latejando, a ressaca teimando em não passar.

O cheiro de canela e cravo tomava conta da cozinha.

Lorena estava ali.

De costas para ele, o avental amarrado na cintura, as mãos ocupadas com algo sobre o balcão. O cabelo preso em um coque frouxo, algumas mechas soltas caindo sobre a nuca.

Dante parou na porta.

A cena era tão… doméstica. Tão normal. Algo que ele nunca teve.

- Bom dia - disse, a voz ainda um pouco rouca.

Lorena se sobressaltou, virando-se rapidamente.

- Bom dia - respondeu, o rosto levemente corado. - Eu fiz… quer dizer, eu lembrei que você gostava de bolo de especiarias.

Dante franziu a testa.

- Como você sabe disso?

- Nas poucas vezes em que te encontrei na família Menezes… - ela começou a explicar, cortando uma fatia e colocando no prato.

Ele sentou-se à mesa, os olhos fixos nela.

Ninguém nunca reparou.

Ninguém nunca se importou.

Lorena colocou o prato na frente dele e se sentou ao lado, as mãos inquietas sobre a mesa.

- Dante, eu queria me desculpar - começou, a voz mais baixa. - De verdade. Eu não devia ter feito aquela festa sem perguntar antes se você gostaria. Foi egoísmo meu.

- Lorena…

- Eu pensei que estava fazendo o bem - ela continuou, os olhos marejados. - Mas eu só pensei em mim. No que eu acharia legal. Não perguntei o que você queria.

Dante pegou a mão dela.

O toque foi suave, mas firme.

- Não precisa se desculpar.

- Mas…

- Foi a primeira vez que eu comemorei um aniversário.

Lorena congelou.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Lorena sentiu os olhos arderem.

- Dante… eu…

Ele soltou a mão dela e pegou o pedaço de bolo. Mordeu um pedaço, mastigou devagar. Os olhos se perderam na janela, onde o sol da manhã começava a esquentar o jardim.

- Eu gostei - disse, finalmente. - Da festa. De você ter se importado.

Ela não respondeu. Apenas esperou.

- Mas eu não sei como comemorar - continuou, a voz mais distante. - Nunca aprendi.

Lorena sentiu o peito apertar.

- Por que você nunca comemorou?

A pergunta saiu antes que pudesse conter. Ela hesitou, arrependida.

- Desculpa, você não precisa responder…

- Eu sempre fui o bastardo - Dante interrompeu, os olhos ainda fixos na janela. - Você sabe o motivo de todos me chamarem de bastardo? - ele perguntou, a voz mais baixa.

Ela balançou a cabeça.

- Nunca consegui que alguém me contasse.

Dante a observou por um longo segundo. Os olhos estavam distantes, perdidos em algum lugar que só ele podia ver.

- O dia do meu nascimento foi também o dia da morte da minha mãe - disse, finalmente. - Ela se chamava Júlia, a filha favorita de Jorge Menezes.

- Julia Menezes?

- Tudo o que ela disse foi que ele cuidasse de mim.

O silêncio que se seguiu foi absoluto.

- O velho nunca me perdoou - Dante continuou. - A filha favorita morreu ao dar à luz o filho do homem que a abandonou. Ele me culpou pela morte dela. Me criou por causa do pedido que ela fez, mas nunca escondeu o ódio.

- Dante…

- Ele me chamava de bastardo desde que me entendo por gente, porque eu era a prova viva do erro que a filha dele cometeu. A mancha na história perfeita da família.

Lorena sentiu as lágrimas escorrerem.

- Por isso eles me odeiam - ele completou, a voz mais baixa, quase um sussurro. - Para o velho, eu sou a lembrança ambulante do homem que destruiu a princesinha dele. O erro que ela cometeu. A consequência que ele não consegue perdoar.

Lorena limpava as lágrimas.

- E o resto da família? - perguntou, a voz igualmente baixa.

Dante a encarou, os olhos escuros, cansados.

- Para o resto da família, eu sempre fui o filho da favorita. Aquele que, se um dia o velho deixasse de me culpar pela morte dela, poderia se transformar em uma ameaça.

Ela não sabia o que dizer. Não havia palavras que pudessem consolar uma dor tão antiga.

Lorena se levantou, contornou a mesa e se sentou ao lado dele. Pegou a mão dele, os dedos entrelaçados.

- Eu sinto muito - disse, a voz falhando. - Por tudo que você passou. Por ninguém ter estado ao seu lado.

Dante a observou.

- Mas agora eu estou - ela completou. - Eu sei que a dor do seu avô ao perder a filha mais amada deve ter sido imensa… mas ele não poderia culpar um bebê por isso.

Ele fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, algo havia mudado.

- Obrigado - disse, baixo. - Pelo bolo. Pela festa. Por… estar aqui.

Lorena apertou a mão dele.

O sol entrava pela janela, iluminando a mesa.

E, pela primeira vez, Dante sentiu que talvez houvesse algo para comemorar.

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