O hotel ficava na região central, o grande movimento das ruas o tornava discreto, o suficiente para que ninguém reparasse na entrada ou saída de seus hóspedes. Rafael escolheu a dedo não podia arriscar ser visto naquele momento.
O quarto era amplo, iluminado por uma luz fria que vinha da janela. Ele estava de pé, os braços cruzados, o olhar fixo na porta.
Ela chegou atrasada.
A porta se abriu uns vinte minutos depois do combinado.
Uma mulher entrou, jovem, talvez trinta anos, o cabelo preso em um coque apertado, os óculos de grau equilibrados no nariz. Vestia um tailleur discreto, nada que chamasse atenção. O tipo de pessoa que passava despercebida em qualquer lugar.
Mas, na lapela da camisa, mal escondido pela paletó, um crachá balançou por um segundo antes que ela o ajustasse.
Nexus Tech.
Departamento de Projetos.
Assistente da Diretoria.
- Desculpe o atraso - disse, fechando a porta atrás de si. - A Clara não para de me vigiar. Foi difícil escapar.
- Não importa - Rafael respondeu, seco. - Você trouxe?
A mulher abriu a bolsa e tirou um pen drive preto, pequeno, anônimo. Estendeu na direção dele.
- Tudo está aqui. O algoritmo completo, os códigos, as senhas… tudo.
Rafael pegou o pen drive, os olhos percorrendo o objeto como se fosse ouro.
Guardou no bolso do paletó e pegou a mala que estava no chão. Colocou-a na mesa. Abriu.
Maços de dinheiro. Bem organizados. Uma quantidade que faria qualquer um hesitar.
A mulher olhou para o dinheiro, os olhos brilhando.
- Está tudo aqui - Rafael disse, empurrando a mala na direção dela. - Conte, se quiser.
- Eu confio no senhor - ela respondeu, fechando a mala e segurando-a junto ao corpo.
Rafael se virou para sair.
- Espere pelo menos uma hora antes de sair - ordenou, a mão já na maçaneta. - Para não levantar suspeitas.
- Senhor…
Ele parou.
- Tem mais alguma coisa?
A mulher hesitou, os dedos tamborilando na alça da mala.
- É… é uma informação pessoal.
- Não sou chegado a fofocas.
- Eu sei - ela respondeu, com um sorriso que não alcançava os olhos. - Mas pensei que o senhor ainda se importasse com a sua ex-esposa.
Rafael congelou.
A mão ainda estava na maçaneta, mas o corpo não se movia. O silêncio no quarto ficou pesado, denso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia