Jorge Menezes raramente deixava sua casa de campo. Nos últimos anos, preferia comandar seus negócios das sombras, como uma aranha que tece a teia sem sair do canto. Mas dessa vez, ele pretendia dar o bote fatal em Dante pessoalmente.
O plano era perfeito.
Ele estava pronto para oferecer a ajuda que o neto renegado precisaria.
A televisão estava ligada.
O velho fumava seu charuto cubano favorito, aquele que ele só acendia para comemorar quando fechava um grande negócio. A fumaça azulada subia em espirais lentas, envolvendo o ambiente como uma névoa de triunfo.
Dessa vez, ele tinha uma vitória dupla.
A entrada no mercado de tecnologia, o setor que sempre desprezou, mas que agora reconhecia como o futuro. E, mais do que isso, a chance de recuperar o controle sobre o neto que, nos últimos anos, demonstrara ser mais eficiente do que o mimado do Rafael jamais seria.
Dante, pensou o velho. O bastardo que se tornou mais valioso do que o herdeiro legítimo.
Mas o sorriso congelou no rosto quando Dante começou a falar.
A primeira frase foi suficiente para fazer o charuto tremer entre os dedos.
"- Primeiro, o roubo comercial..."
O velho se inclinou para frente, os olhos fixos na tela. A fumaça do charuto subia agora em espirais irregulares, tão instáveis quanto o próprio patriarca.
- O algoritmo foi projetado com uma camada de autoproteção - Dante dizia, a voz firme. - Algo que não estava documentado nos arquivos roubados.
O charuto caiu no cinzeiro.
Jorge Menezes não piscou. Não respirou. Apenas ficou ali, imóvel, assistindo seu castelo de cartas desmoronar.
O algoritmo. A joia da coroa. Não era o que ele pensava. Era uma armadilha. E ele caiu.
Ele não conseguia ouvir mais nada. Apenas o zumbido nos ouvidos. A pressão subindo. O coração acelerando.
Ele havia roubado um cavalo de Troia.
- Aquele bastardo… - murmurou, a voz falhando.
A porta se abriu.
Rafael entrou sem bater, o sorriso no rosto, as mãos nos bolsos. Caminhou até a mesa como se nada tivesse acontecido.
- Vovô - cumprimentou, com uma falsa educação.
O velho ergueu os olhos.
- Você viu o que fizeram?
- Vi - Rafael respondeu, sentando-se na cadeira à frente. - Estão destruindo a SecureX. E, por tabela, o senhor.
O velho se levantou, os punhos apoiados na mesa.
- O algoritmo tinha um cavalo de Troia! - explodiu, a voz ecoando pelas paredes do escritório. - Aquele desgraçado nos enganou!
Rafael não se moveu. Apenas observou, impassível.
- O senhor que quis roubar - disse, com calma. - Eu só consegui o que o senhor pediu.
O velho o encarou, os olhos injetados.
- Você sabia?
- Sabia o quê?
- Que o algoritmo era uma armadilha!
Rafael riu. Um riso baixo, sem humor.
- Vovô, eu sou um administrador, não sou um nerd. O senhor queria o código, eu entreguei o código. O que fizeram com ele depois… não é problema meu.
O velho se afastou da mesa, andando de um lado para o outro. A respiração estava irregular, as mãos suando.
- As perdas serão multimilionárias - disse, mais para si mesmo.
- Provavelmente - Rafael concordou, com um sorriso.
O velho parou.
- E agora? O que vamos fazer?
Rafael se levantou devagar.
- Eu? - perguntou, ajeitando o paletó. - Vovô, eu não posso limpar sua bagunça agora. O senhor mesmo me retirou das funções da sua empresa.

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