O estacionamento subterrâneo estava silencioso.
Os seguranças já tinham garantido que não havia jornalistas por perto, e o eco dos passos de Dante e Lorena se misturava ao som abafado dos motores que ainda ron davam ao fundo.
Dante segurava a mão de Lorena. Firme. Quente. Como se não quisesse soltar.
Ela não reclamou. Não sentia vontade de se afastar.
Quando chegaram ao carro, Theo já estava sentado ao lado do motorista, o notebook aberto, os dedos voando sobre o teclado. A porta traseira se abriu e Dante entrou primeiro, puxando Lorena para o banco ao seu lado.
- Bom trabalho hoje - Theo disse, sem tirar os olhos da tela.
- Ainda não terminamos - Dante respondeu, fechando a porta.
O carro arrancou.
O trajeto até a Nexus Tech era curto, mas suficiente para colocarem os próximos passos em ordem. Theo começou a falar sobre prazos, ajustes, a necessidade de lançar o produto o quanto antes e aproveitar a publicidade.
- Vamos precisar adiantar o cronograma em pelo menos duas semanas - Theo disse.
- Impossível - Dante respondeu. - A equipe está esgotada.
- Não temos escolha. Mas o que me preocupa são os investimentos. Com o que reunimos até agora, não será suficiente.
Lorena ouvia em silêncio, tentando acompanhar. O mundo da tecnologia ainda era novo para ela, e a velocidade com que eles tomavam decisões a deixava tonta.
- Como vocês conseguiram fazer aquilo? - ela perguntou, finalmente.
Theo se virou no banco, um sorriso no rosto.
- O Dante programou o cavalo de Troia sozinho.
Lorena olhou para ele.
- Sozinho?
- Nosso nerd já imaginava que isso aconteceria - Theo continuou.
Lorena lembrou. As olheiras que ele tentava esconder. O café sempre presente na mesa.
Dante não respondeu. Apenas desviou o olhar para a janela.
O carro entrou na avenida que levava à Nexus Tech.
O celular de Theo vibrou. Ele atendeu, ouviu por alguns segundos, e desligou.
- Conseguimos identificar o arquivo que foi roubado - disse, a expressão séria. - Era a cópia em que Clara trabalhava.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Lorena sentiu o estômago apertar.
- Clara? - perguntou, incrédula. - Você acha que foi ela?
- Não acredito - Theo respondeu imediatamente. - Alguém teve acesso à máquina dela, mas não foi ela.
- Mesmo assim - Dante disse - precisamos afastá-la enquanto investigamos.
Theo pensou por um segundo.
- Não.

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