A campainha tocou menos de uma hora depois.
Helena entrou como um furacão - cabelos claros voando, sorriso largo, uma sacola na mão. O vestido leve balançava com o movimento, e seus olhos verdes brilhavam com uma energia que contrastava com o cansaço de Lorena.
- Lorena! - exclamou, já abraçando a amiga. - Você não vai acreditar o que eu trouxe.
Lorena tentou sorrir, mas o sorriso não alcançava os olhos.
Helena não pareceu notar.
Ela abriu a sacola com um gesto dramático e tirou um pacote colorido.
- Alfajor - anunciou, como se fosse um tesouro. - O Dante me fez trazer. Ele disse que você ama. Então, quando soube que eu ia até Buenos Aires, me encomendou especialmente.
Lorena pegou o pacote.
Os dedos tremeram.
Os sentimentos que ela havia segurado durante todo o caminho de volta, que conseguira conter no closet, que tentara esconder de si mesma vieram todos de uma vez.
Lorena começou a chorar e Helena congelou.
- Lorena? O que foi? - perguntou, sentando-se ao lado dela no sofá. - Foi algo que eu disse?
Lorena balançou a cabeça, mas as palavras não saíam.
- Meu Deus, Lorena, você está me assustando - Helena tocou o ombro dela, preocupada. - Foi o Dante? Ele fez alguma coisa?
- Não - Lorena conseguiu dizer, a voz falhando. - É o contrário.
Helena esperou.
Lorena enxugou os olhos com o dorso da mão, respirou fundo, e finalmente perguntou:
- Sou eu, não é?
Helena franziu a testa.
- O quê?
- A pessoa que ele ama - Lorena completou, os olhos fixos na amiga. - Sou eu?
O silêncio que se seguiu foi breve, mas carregado. Helena empalideceu. O sorriso desapareceu. Os olhos verdes, antes brilhantes, agora estavam arregalados, indecisos.
- Lorena… - começou, a voz hesitante. - Isso é uma conversa que você precisa ter com ele.
- Por favor, Helena - Lorena implorou. - Eu preciso saber.
Helena desviou o olhar. Os dedos tamborilavam no sofá, inquietos.
- Dante é uma pessoa incrível - disse, finalmente, escolhendo as palavras com cuidado. - Um gênio em programação. Em negócios. Em estratégia. Mas sentimentos…
Ela fez uma pausa.
- Ele não sabe nada sobre sentimentos.
Lorena esperou.
- Você sabe melhor do que eu como foi a vida dele na família Menezes - Helena continuou. - Ele nunca aprendeu a confiar. Nunca aprendeu a se abrir. Nunca aprendeu a dizer o que sente.
Ela pegou a mão de Lorena.
- Mas quando ele ama… ele ama de verdade. E faz tudo para proteger a pessoa amada. Mesmo que ela não saiba.
Lorena sentiu o coração apertar.
- Então sou eu?
Helena não respondeu. Apenas apertou a mão dela.
- Conversa com ele - disse, levantando-se. - Vocês precisam conversar, eu não posso…
Ela pegou a bolsa, já se dirigindo para a porta.
- Helena…
- Se você sentir alguma coisa por ele - a amiga interrompeu. - Não percam mais tempo.

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