Lorena estacionou o carro em frente à Nexus Tech e desligou o motor.
Os seguranças, que a seguiam discretamente desde que ela saíra de casa, entraram no estacionamento logo atrás. Quase a perderam de vista no trânsito intenso - foram instruídos por Dante para agir de forma invisível, e assim o faziam. Mas naquela noite, por pouco não falharam.
Lorena, alheia a eles, correu em direção aos elevadores.
Enquanto esperava, pareceu que um século se passara. O coração batia tão forte contra o peito que ela tinha certeza de que todos ao redor podiam ouvir. Os pensamentos ainda estavam nublados.
O que aconteceria de agora em diante?
Ela podia se deixar sentir isso que martelava em seu coração?
Ela merecia um homem como Dante?
A única certeza que tinha naquele momento era que precisava saber a verdade.
- A senhora vai entrar? - alguém perguntou.
Lorena piscou, voltando a si. Uma das secretárias da presidência segurava a porta do elevador, que ela nem percebera que havia chegado.
- Obrigada - disse, entrando.
As pernas tremiam enquanto o elevador subia.
Ela nunca tinha sentido nada parecido. Nem nos momentos em que imaginou estar apaixonada por Rafael. Seu coração nunca batera tão forte. Agora, os sentimentos que um dia tivera pelo ex-marido pareciam pálidos, distantes. Sua imagem ela já não conseguia ver com clareza.
Já Dante…
Só a simples lembrança do nome trazia à memória cada detalhe. Os olhos castanhos que, na luz do sol, ficavam completamente verdes. Os lábios grossos que se curvavam para cima sempre que falava com ela. O jeito como ele a olhava, como se ela fosse a única pessoa no mundo.
O elevador chegou à cobertura.
Lorena saiu e deu de cara com o amplo saguão. Ainda havia uma quantidade considerável de funcionários, todos indo e vindo rapidamente, carregando pastas, tablets, laptops.
Naquele momento, ela começou a duvidar.
Talvez eu tenha entendido tudo errado.
E se não for verdade?
E se for… eu posso retribuir esse sentimento?
- Ei!
Lorena quase esbarrou em Clara, que parou no meio do saguão com uma pilha de documentos na mão.
- Você veio pegar alguma coisa que o Dante esqueceu?
Lorena não registrou bem o que ela disse. A mente ainda estava longe.
- O Dante foi para casa? - perguntou, o coração pesado. Uma parte dela esperava vê-lo imediatamente, como se precisasse daquilo como do ar para respirar.
- Ele saiu agora a pouco - Clara respondeu, franzindo a testa. - Aconteceu alguma coisa? Você está toda vermelha. Está passando mal de novo?
- Não. Não é nada - Lorena respondeu, já se virando para ir embora. - Nós só nos desencontramos.
- Lorena!

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