O beijo ainda ardia nos lábios dela quando ele afastou o rosto.
- Lorena - ele sussurrou.
O peito dele subia e descia rápido. Os olhos estavam escuros de desejo.
Ela tocou o rosto dele. Ele tremeu.
Ela o puxou de volta.
Dessa vez, o beijo foi diferente. Não era pergunta. Era resposta. Oito anos de espera dentro de um único beijo.
As mãos dele desceram pelas costas dela, e Lorena sentiu cada dedo, cada centímetro de pele que ele tocava. A blusa dela subiu sem que percebesse. A pele dele contra a dela.
Ele gemeu baixo. Ela também.
- Eu te esperei tanto tempo… - ele murmurou no pescoço dela.
A voz estava enrolada, como se falar doesse.
- Eu estou aqui agora - ela respondeu.
Ele ergueu o rosto e a olhou.
- Você tem certeza?
Ela o beijou de novo. Foi a única resposta que ele precisava.
Ele a levantou no colo. As pernas dela envolveram a cintura dele. As mãos dela se agarraram aos ombros dele. O coração dela estava tão alto na garganta que mal conseguia respirar.
Ele a levou para o quarto.
A porta fechou.
O mundo acabou.
Na cama, ele parou. Apenas a olhou.
- Você é tudo o que eu imaginei - disse. - E muito mais.
Lorena começou a chorar.
- Me mostra - pediu. - Me mostra o que eu perdi.
Ele se inclinou e a beijou. Não a boca. A testa. Depois os olhos. Depois as bochechas. Cada beijo doía de tão delicado.
Depois, ele desceu. Os lábios dele encontraram o pescoço dela. A clavícula. O ombro.
As mãos dele a seguravam como se ela fosse quebrar.
Ela nunca tinha sido amada daquele jeito.
Com Rafael, era posse. Com Dante, era entrega.
Eles se encaixaram como se fossem feitos um para o outro. Os dedos dele entrelaçados nos dela. O corpo dele quente contra o dela. A respiração dele misturada à dela.
- Eu te amo - ele sussurrou.
Ela não respondeu. Beijou ele. Ele entendeu.
Depois, ela estava deitada sobre o peito dele.
O coração dele batia forte. O dela também.
- Oito anos - ela disse.
Dante passou os dedos pelos cabelos dela.
- Eu nunca esqueci - ele disse. - Mesmo quando soube que você estava com ele, eu ainda olhava para você nos corredores. Ainda torcia. Ainda esperava.
- Como você conseguiu esperar tanto tempo?
- Porque eu acreditava que o destino não nos colocaria naquele rio à toa.
Ela ficou em silêncio por um segundo.
- Você sempre foi um bobo romântico?
- Sempre.
Ela riu. Ele riu junto.
Foi o riso mais leve da vida dela.
Ele segurou o rosto de Lorena com as duas mãos.
A beijou outra vez. Mais devagar. Mais fundo.
- A espera acabou - ele sussurrou contra os lábios dela.
Do lado de fora, a noite continuava.
O mundo não tinha parado.
Mas dentro daquele quarto, nada mais importava.
E, pela primeira vez, Lorena não tinha medo do amanhã.

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