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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 131

Depois de falar o homem parou a uma distância respeitosa.

Dante virou o rosto.

- A mulher grávida - disse o homem, a voz baixa. - Entrou em trabalho de parto na ilha, senhor. Os homens que ficaram para trás estão tentando administrar a situação mas ela está com dores fortes e o intervalo entre as contrações está diminuindo. Não temos ninguém com treinamento médico suficiente para lidar com um parto de emergência.

Uma pausa.

- E Rafael ainda não foi localizado.

O silêncio que se seguiu durou apenas um segundo, o tempo que Dante levou para calcular distâncias, tempo de voo e recursos disponíveis.

- Assim que deixarmos a senhora em casa - disse, a voz já no modo de quem está resolvendo um problema - o jato volta para buscar ela. Vou acionar um médico para estar em solo quando aterrissarem.

- Não.

A voz veio do lado dele.

Dante virou o rosto.

Lorena havia se afastado levemente do ombro dele. As mãos já procuravam o comunicador que ficava no painel ao lado do assento, ela o encontrou sem hesitar, verificou o botão, e abriu o canal com a cabine antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.

- Comandante.

- Senhora? - A voz chegou clara pelo aparelho.

- Temos combustível suficiente para voltar à ilha antes de seguir para casa?

Uma pausa curta. O tipo de pausa de quem verifica instrumentos antes de responder.

- Sim, senhora. Com margem suficiente.

- Obrigada.

Ela desligou o comunicador com um clique seco. Virou o rosto para Dante.

- Vamos voltar.

Ele a olhou por um segundo. Apenas um o tempo suficiente para ver que não havia hesitação naqueles olhos, que a decisão já havia sido tomada.

Depois assentiu.

O homem voltou em direção à cabine para passar a instrução ao comandante. Antes de desaparecer pela divisória, parou.

Virou-se para Lorena com uma expressão que ela não esperava ver num homem daquele tipo alguém treinado para operações que não constavam em nenhum manual corporativo, alguém que havia passado a noite numa ilha rendendo homens armados sem mudar a expressão uma vez sequer.

Ele a olhou com algo que misturava respeito e incredulidade.

- A senhora tem certeza? - disse, devagar, como se precisasse confirmar que havia entendido certo. - Voltar pra lá depois de tudo que…

- São duas vidas - Lorena interrompeu, a voz calma, sem espaço para negociação. - Uma delas ainda nem nasceu. - Uma pausa de meio segundo. - Nós não somos os vilões dessa história.

Ele a puxou devagar para o seu peito.

Ela se encaixou, como quem volta para um lugar que já conhece. A cabeça no ombro dele, uma das mãos pousando levemente sobre o antebraço dele com o peso tranquilo de quem não precisa segurar com força para saber que não vai a lugar nenhum.

Dante ficou com o queixo no cabelo dela.

O coração batia de um jeito que ele não sabia nomear não era o ritmo acelerado do perigo nem a lentidão do alívio. Era outra coisa. Mais funda. Mais constante. O tipo de batimento que não avisa quando começa e que ele suspeitava, com uma certeza que não precisava de confirmação, que não ia parar.

Dante fechou os olhos por um segundo.

- Lorena - disse, baixo, mais para si mesmo do que para ela.

- Hm?

- Nada. - Ele apertou levemente o braço ao redor dela. - Descansa.

Ela não respondeu. Mas a mão que estava no antebraço dele apertou levemente - um gesto pequeno, quase imperceptível, que dizia o suficiente.

Lá fora, o sol da manhã iluminava o caminho de volta.

E Dante ficou onde estava, com ela nos braços, pensando que havia passado oito anos amando uma memória.

E que a realidade havia sido generosa o suficiente para ser ainda melhor.

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