Lorena descobriu rapidamente que esperança também podia doer.
A primeira sessão foi pela manhã, ela tentou agir como se fosse apenas mais uma consulta. Como se não estivesse prestes a colocar nas mãos da medicina um sonho que havia soterrado em dor.
Mas, quando a enfermeira pediu que ela assinasse os formulários, suas mãos tremiam.
Dante percebeu.
Sem dizer nada, segurou a caneta junto com ela.
Foi um gesto pequeno.
Mas suficiente para impedir que ela desabasse.
O procedimento em si foi rápido.
A espera, não.
Nas horas seguintes vieram as cólicas.
Uma dor profunda, constante, diferente de qualquer coisa que Lorena já tivesse sentido.
Ela tentou esconder.
Como sempre fazia.
Mas Dante percebeu quando a encontrou encolhida no sofá naquela noite, abraçada a uma almofada.
- Está doendo.
Não era uma pergunta.
Lorena suspirou.
- Um pouco.
- Mentira.
Ela fechou os olhos.
- Bastante.
Dante sentou ao lado dela.
Não tentou resolver.
Não tentou dar conselhos.
Apenas a puxou para perto e ficou ali.
Às vezes o amor não era salvar.
Era permanecer.
Os dias seguintes foram uma mistura estranha de rotina e expectativa.
Lorena trabalhava.
Revisava contratos.
Respondia mensagens de Bruno.
Discutia jurisprudências.
Fingia normalidade.
Mas toda vez que o celular tocava com uma mensagem do hospital, seu coração disparava.
Toda vez.
Sem exceção.
Quando os primeiros resultados chegaram, Dr. Almeida parecia satisfeito.
- Há sinais de regeneração.
Lorena demorou alguns segundos para entender.
- Isso é bom?
- É muito bom.
E ela se permitiu ficar genuinamente otimista.
Quando saíram do consultório, Lorena permaneceu em silêncio.
Entrou no carro.
Colocou o cinto.
E começou a chorar.
Dante levou um susto.

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