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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 162

As semanas seguintes passaram devagar.

Devagar demais para Lorena.

A muleta encostada ao lado da cama tornou-se sua inimiga pessoal. A perna imobilizada a impedia de fazer as coisas mais simples sozinha, e aquilo a irritava muito mais do que a dor.

Naquela manhã, ela tentava alcançar uma pasta na estante da sala quando perdeu o equilíbrio.

- Lorena!

Antes que pudesse protestar, Dante já estava ao lado dela.

- Eu só ia pegar um documento.

- E eu só ia ter um infarto.

Ela revirou os olhos.

- Você está exagerando.

- Você foi atropelada há três semanas.

- Três semanas e dois dias.

- Ah, ótimo. Então já pode sair correndo maratona.

Ela não conseguiu conter o sorriso.

Dante aproveitou a distração para pegar a pasta e colocá-la em seu colo.

- Obrigada.

- De nada.

- Você continua me tratando como se eu fosse feita de vidro.

A expressão dele mudou.

Foi só por um segundo.

Mas ela viu.

Viu o reflexo daquela noite.

O sangue.

A ambulância.

O medo.

- Eu quase perdi você, Lorena.

A resposta saiu baixa.

Honesta.

Sem defesa.

Ela sentiu o coração apertar.

Devagar, estendeu a mão.

Dante a segurou imediatamente.

Como se ainda precisasse confirmar que ela estava ali.

Viva.

Com ele.

Quando Lorena finalmente conseguiu se instalar no sofá com a pasta no colo, Laura estava na cozinha.

- Você não vai parar de trabalhar? - a mãe perguntou, sem tirar os olhos da panela.

- Mãe a senhora também, eu vou mofar se ficar sem fazer nada.

- Seu corpo precisa de um pouco de descanso.

Jonas, sentado à mesa com o café, apenas balançou a cabeça.

- Não adianta, mulher. Ela é teimosa igual a você.

- Eu sou teimosa?

- Você discutiu comigo três dias seguidos porque eu pendurei o quadro no lugar errado.

- E você pendurou no lugar errado.

Lorena riu, baixo.

Aquele barulhinho de discussão de anos de casamento, aquele entra e sai da cozinha com cheiro de pão caseiro, a voz de fundo da televisão ligada no jornal da manhã.

Era tão normal.

Tão simples.

Tão… lar.

Ela não sabia quanto tempo ficou ali, ouvindo os pais discutirem amenidades, até que a campainha tocou.

Alexandre chegou com uma sacola de frutas na mão e um sorriso no rosto.

- Comprei tudo que achei que ela ia gostar - disse, deixando a sacola sobre a mesa da cozinha.

- O senhor não precisava - Laura respondeu.

- Eu sei. Mas queria uma desculpa para vim ver minha nora.

Ele se aproximou do sofá, os olhos fixos em Lorena.

- Como está se sentindo?

- Muito melhor.

- Que bom, e Dante?

- Está no escritório - Alexandre e Dante vinham se aproximando muito no último mês.

Dante apareceu na sala no fim da tarde, depois de uma reunião por videoconferência.

- Conseguiu trabalhar? - perguntou, sentando ao lado dela.

- Consegui. Bruno aprovou os pareceres.

- Acho que ele vai acabar te promovendo antes de você voltar.

- Promoção? - Laura entrou na sala com uma xícara de chá. - Ouvi direito?

- Sim, mãe.

Laura olhou para Dante.

- Então Dante toma cuidado, é capaz que ela passe a trabalhar às vinte e quatro horas do dia.

Dante sorriu.

- Eu vou ficar de olho nela, mas não garanto nada ela nunca me escuta.

Lorena revirou os olhos.

- Vocês dois estão se unindo contra mim.

- É para o seu bem - os dois disseram ao mesmo tempo.

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