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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 57

O escritório estava em silêncio. Os funcionários do Grupo Menezes já não andavam mais pelos corredores com a mesma desenvoltura de antes. As conversas eram mais baixas, os passos mais cuidadosos.

Quando o homem de terno discreto e pasta na mão, apareceu no saguão, a recepcionista sentiu um arrepio percorrer a espinha. Ela contactou imediatamente a secretaria do chefe, agradecendo aos céus por não ser ela quem lidava diretamente com ele.

- Senhor Rafael? - a secretaria disse no interfone, a voz hesitante. - Há um… oficial de justiça aqui. Para o senhor.

Do outro lado da linha, o silêncio foi breve.

Mas pesado.

- Manda subir.

A voz de Rafael saiu controlada. Muito controlada.

O oficial entrou no elevador com passos firmes, cumprimentou os seguranças no andar de cima com a formalidade de quem já estava acostumado a entregar más notícias. O corredor até a sala de Rafael parecia mais longo do que o normal.

A secretária bateu levemente na porta.

- Entra

Rafael estava de pé atrás da mesa, o rosto pálido, os olhos escuros demais. Os hematomas do confronto com Dante ainda tinha vestígios - o corte no supercílio continuava aberto.

O oficial não perdeu tempo com rodeios, estendeu o envelope lacrado.

- Rafael Menezes, está intimado a receber a notificação de ação de divórcio ajuizada por Lorena Campos.

As palavras ecoaram na sala como uma sentença.

Rafael não se moveu.

O oficial esperou um segundo, dois, três. Então colocou o envelope sobre a mesa, com o cuidado de quem deposita uma bomba prestes a explodir.

- O senhor tem o prazo de quinze dias para apresentar defesa.

Não houve resposta.

O oficial se retirou.

A porta se fechou.

E então…

o silêncio foi devastador.

Por um segundo, Rafael ficou imóvel. Apenas olhando para o envelope sobre a mesa, como se aquilo fosse um objeto estranho, uma língua que ele não reconhecia.

Depois, a mão se moveu.

Devagar.

Ele pegou o envelope. Abriu. Leu.

E o mundo desabou.

A primeira coisa que voou foi o copo de vidro. Estilhaçou contra a parede com um som seco, os cacos se espalhando pelo chão como gotas de água congelada.

Depois foi a cadeira. Ele a agarrou pelo braço e arremessou contra a estante de livros, que tombou com um estrondo que ecoou pelo corredor.

- Ela quer… - a voz saiu entre os dentes, rangendo - ELA QUER ME DEIXAR?!

O punho desceu sobre a mesa. Uma vez. Duas. Três. A mesa rangeu, rachou.

O laptop foi arremessado contra a parede. A tela se estilhaçou, pedaços de plástico e vidro espalhando-se pelo chão. Rafael não parou.

As pastas, os papéis, os objetos de valor que enfeitavam a mesa - tudo foi varrido num movimento cego, desesperado, a fúria tomando conta de cada músculo, cada pensamento.

Porque ele sabia.

Sabia que aquilo vinha.

Mas ver… ver era diferente.

Lorena estava se divorciando dele.

E não era só isso. Nos últimos dias, ele tentava manter a calma. Planejar. Estratégia. Guerra contra Dante, sim, mas com a cabeça fria, com os movimentos calculados. Ele repetia para si mesmo que era questão de tempo, que ela voltaria, que tudo se resolveria.

Mas a notificação estava ali.

No papel.

Prova de que ela não voltaria. Prova de que ela escolheu outro. Prova de que ele perdeu.

E então ele parou.

Ofegante.

Os olhos vidrados em algum ponto fixo, as mãos ainda fechadas, o peito subindo e descendo em ondas irregulares.

Nos últimos dias sempre que fechava os olhos aquele pesadelo voltava.

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