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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 56

Lorena saiu do hospital diretamente para um apartamento que Dante fez questão de que ela usasse.

O edifício parecia simples por fora mas não era um lugar comum. Para entrar, era preciso passar por três pontos de verificação, cada um mais discreto que o anterior - câmeras embutidas nas paredes, sensores que ninguém via, seguranças que pareciam fazer parte da decoração até que se movessem.

Lorena já estava se acostumando.

Na primeira noite, estranhou. O silêncio, a altura, a sensação de estar cercada por vidro e concreto. Mas, aos poucos, aquilo deixou de ser um espaço vigiado para se tornar… seguro.

Pela primeira vez em muito tempo, ela dormia sem medo.

O despertador tocou cedo, como sempre. Lorena se sentou na cama com cuidado, ainda sentindo o peso do braço imobilizado, o gesso que já começava a ficar familiar. Levantou-se, escovou os dentes com a mão esquerda, um exercício de paciência que repetia todas as manhãs.

No horário habitual, o motorista já estava à espera.

O trajeto até o escritório era rápido. Curto o suficiente para que Lorena pudesse revisar mentalmente a agenda do dia.

O andar da Nexus Tech já estava em movimento quando ela chegou. As luzes acesas, as telas brilhando, os funcionários circulando com a eficiência silenciosa que caracterizava o lugar. Lorena cumprimentou algumas pessoas no corredor - poucas, porque seu escritório ficava no fundo, perto da sala de Dante - e se instalou na própria mesa.

O braço doía. Não o tempo todo, mas nos momentos de distração, quando ela esquecia de proteger o movimento.

O trabalho ajudava.

Desde que voltara, tinha se dedicado aos projetos com uma intensidade que surpreendia até a si mesma. Talvez fosse a necessidade de ocupar a mente. Talvez fosse o medo de parar e sentir o que ainda doía em outros lugares.

O fato era que, toda manhã, ela estava ali.

E, toda manhã, enfrentava o mesmo desafio: o computador.

Os dedos da mão direita ainda se moviam com alguma dificuldade, e o gesso impedia qualquer tentativa de digitar por muito tempo. Mas Lorena havia encontrado um jeito.

O gravador ficava sempre ao lado do teclado.

Ela ligava antes de cada reunião, posicionava com cuidado para captar todas as vozes, e depois passava os arquivos para um programa de transcrição. O software era bom - assustadoramente bom - e as anotações saíam limpas, organizadas, prontas para revisão.

Ela mesma se encarregava de conferir, linha por linha, ajustando o que a máquina não conseguia captar. Não era o mesmo que escrever à mão. Mas funcionava.

O trabalho avançava.

E, com ele, algo dentro dela começava a se reorganizar.

***

O almoço chegou sem que Lorena percebesse o tempo passar.

Ela estava revisando os últimos documentos quando uma sombra cobriu a mesa.

- Não comeu ainda.

Não era pergunta.

Dante estava ali, uma marmita na mão, a expressão como sempre - controlada, atenta, mas com algo nos olhos que ela já aprendera a reconhecer.

- Eu ia descer daqui a pouco - respondeu, fechando o laptop.

Ele não comentou.

Apenas colocou a marmita sobre a mesa, afastando alguns papéis para abrir espaço.

Lorena olhou para a comida.

E reconheceu.

O risoto de cogumelos com um toque de açafrão. Não era algo que ela comia com frequência. Não era algo que estivesse no cardápio do refeitório.

Ela levantou os olhos.

- Como você sabe o que eu gosto?

E Clara estava prestando atenção.

Ela se recostou na cadeira, girando lentamente a caneta entre os dedos, enquanto os dois conversavam no escritório ao fundo. Dante dizia alguma coisa, Lorena ria baixo - um som contido, mas real - e ele ficou um segundo a mais olhando para ela antes de se virar.

Clara avaliou.

- Interessante… - murmurou, mais para si mesma.

O jantar que Theo havia arranjado ainda estava pendente. Uma promessa feita sob coação, mas uma promessa, ainda assim. Dante não poderia recusar sem parecer descortês. E Clara não era mulher de deixar oportunidades passarem.

Ela tinha tempo.

E, agora, sabia exatamente qual peça precisava mover.

O dia terminou como todos os outros. Lorena desceu no horário habitual, o motorista já esperando, o caminho de volta silencioso e seguro. O apartamento no alto do edifício a recebeu com as luzes já acesas.

Ela sentou-se sozinha na mesa ampla, olhando pela janela para a cidade lá embaixo.

Doía menos agora.

O braço. A lembrança. A saudade de algo que ainda não sabia nomear.

No prédio da Nexus Tech, Clara ainda estava no escritório.

As luzes do corredor já estavam apagadas, mas ela permanecia ali, os olhos fixos na tela do computador, os dedos tamborilando suavemente na mesa.

- Dante… - murmurou, testando o nome.

Sorriu.

E começou a planejar.

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