O bar ficava na esquina, a poucas quadras da Nexus Tech. Não era luxuoso, era o tipo de lugar que servia chopp gelado, porções generosas e música alta o suficiente para que as conversas ficassem entre as mesas, sem viajar.
Theo havia reservado todo o local. Apenas a equipe, o álcool e a sensação de que, depois de meses de trabalho, a versão beta do algoritmo finalmente estava pronta para ser apresentada aos investidores.
Lorena estava sentada ao canto, perto da janela, uma taça de vinho na mão. Observava o movimento, os desenvolvedores rindo, os analistas brindando, o alívio estampado no rosto de cada um.
Dante estava no centro da mesa, cercado por Theo e pelos engenheiros mais antigos. Ele ria de algo que não dava para ouvir, os olhos brilhando, o cabelo já desalinhado. Fazia tempo que ela não o via tão solto.
- Sua esposa não tira os olhos de você essa noite - Theo comentou, sentado ao lado dele com uma cerveja na mão. - Quem sabe com um pouco de vinho hoje…
Quando os olhos de Dante cruzaram com Lorena ela desviou o olhar rápido demais.
- É esse tipo de homem que eu sou? - Dante respondeu, dando um soco no ombro do amigo.
- Ai! - Theo reclamou, esfregando o ombro, o olhar malicioso. - Não é à toa que levou quase uma década para se aproximar dela. Tão casto e puro.
Ele não respondeu.
As horas passaram. Os brindes se multiplicaram. Dante tomou algumas taças de vinho e até um uísque que lhe ofereceram. Lorena não bebeu mais de duas taças.
Quando o bar começou a esvaziar, ela percebeu que Dante já não conseguia manter o equilíbrio. Ele cambaleava ao se levantar, apoiando-se no ombro de Theo, que o segurava com naturalidade enquanto se aproximava de Lorena.
- É todo seu, senhora Menezes - Theo disse, já passando o bebum para os braços dela.
- Tem certeza? - Lorena perguntou, um pouco assustada. Dante, além de alto, era muito forte.
Mas, inesperadamente, ele não apoiou tanto peso sobre o ombro dela quanto ela esperava.
- Sim. O motorista está esperando.
Theo a observou por um segundo, os olhos percorrendo o rosto dela como se buscasse alguma coisa.
- Ele fica emotivo quando bebe - avisou, baixo. - Não seja muito dura com ele.
Lorena franziu a testa, confusa.
Theo não respondeu. Apenas sorriu, seguindo seu próprio caminho.
O trajeto até o táxi foi um exercício de paciência. Dante, apesar de não apoiar muito peso, estava abraçado a ela com força. As mãos se encontravam, as respirações se misturavam.
- Você é realmente péssimo com álcool - ela reclamou, abrindo a porta do táxi.
- Estou ótimo - ele respondeu, a voz arrastada.
- Você mal consegue ficar em pé.
- Estou economizando energia.
Ela suspirou, ajudando-o a entrar.
No banco de trás do táxi, Dante se aconchegou ao lado dela, a cabeça pesada no ombro de Lorena. O braço dele envolveu o dela com uma naturalidade que a fez prender a respiração.
- Dante…
- Hum?
- Senta direito.
Ele não respondeu. Apenas apertou o abraço.
Lorena desistiu de reclamar.
O táxi seguia pela avenida deserta, as luzes da cidade passando como borrões coloridos no vidro escuro. O silêncio dentro do carro era confortável, quase íntimo.
- Você cheira bem - ele murmurou, o rosto enterrado no ombro dela.


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