Eu te amo.
Lorena não sabia se foi o poder daquelas palavras ou o álcool que queimava leve nas veias, soltando os nós que ela mesma tinha amarrado. A mente, que sempre a protegia com lembranças e alertas, agora estava em silêncio. Só existia ele. Só existia aquele momento.
Lorena não pensou.
Apenas se rendeu.
Seus lábios tocaram os dele como quem se atira de um abismo, sem rede, sem certeza, sem volta. O toque foi leve no primeiro instante, quase um pedido de permissão. Mas Dante respondeu como quem já estava ali, esperando, há uma vida.
A mão dele encontrou a cintura dela, puxando-a contra si. O beijo deixou de ser um pedido e se tornou uma resposta. Os lábios dela se abriram sob os dele, e o mundo inteiro pareceu se resumir àquele ponto de contato, quente, úmido, urgente.
Lorena sentiu os dedos dele percorrerem sua espinha, um arrepio elétrico que a fez tremer. As mãos dela, antes hesitantes, agora se agarravam ao tecido da camisa dele como se fosse a única coisa que a mantinha ali.
O coração disparou.
O corpo inteiro ardia.
Ela nunca tinha se sentido daquele jeito, como se cada centímetro do seu corpo tivesse despertado, como se o tempo estivesse acabando, como se aquele beijo precisasse durar pela eternidade.
Quando ele afastou o rosto por um segundo, apenas o suficiente para recuperar o ar, os olhos dele encontraram os dela. Escuros. Intensos. Incendiados.
- Lorena… - ele murmurou, a voz rouca.
O nome dela na boca dele soou como uma promessa.
E então ele a beijou de novo.
Mais profundo. Mais desesperado. Como se tivesse medo de que ela desaparecesse.
Ali, nos braços de Dante, com os lábios colados aos dele, o mundo lá fora deixou de existir.
Mas a realidade voltou como um balde de água fria.
Lorena o empurrou.
O movimento foi brusco, desesperado. Ela se levantou da cama antes que pudesse pensar, os olhos arregalados, a respiração ofegante. Dante ficou ali, deitado, os olhos ainda meio fechados, os lábios úmidos, o peito subindo e descendo.
- Lorena… - ele murmurou, a voz arrastada.
Ela não respondeu.
Virou-se e correu para fora do quarto, os passos rápidos, a mão na boca como se pudesse conter o que já tinha feito.
Dentro do próprio quarto, Lorena fechou a porta e se apoiou nela, o corpo pesado e os joelhos fracos. A mão ainda estava nos lábios, lábios que ainda ardiam, que ainda sentiam o gosto dele.
O peito subia e descia em descompasso.


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