O sol ainda não tinha nascido quando Lorena abriu os olhos.
O quarto estava escuro, silencioso. A única luz vinha das frestas da cortina, onde o céu começava a clarear num tom azul-escuro. Ela piscou algumas vezes, tentando se lembrar onde estava. Aos poucos, as imagens da noite anterior voltaram
O bar, o táxi, o beijo.
O beijo.
Lorena fechou os olhos, pressionando os lábios como se pudesse apagar a memória. Mas não adiantava. O gosto dele ainda estava ali. O calor das mãos dele na cintura. O jeito como ele disse o nome dela.
Lorena…
Ela se sentou na cama, os cabelos desalinhados, o coração já acelerado. O relógio na mesa de cabeceira marcava pouco depois das cinco da manhã.
Não ia conseguir dormir de novo.
Levantou-se devagar, os pés descalços no chão frio, e caminhou até a janela. O jardim lá fora estava silencioso, as flores ainda fechadas, o orvalho brilhando nas folhas. Ela agradeceu a Deus por ser fim de semana.
Não saberia como encarar Dante depois do que aconteceu.
Não saberia como olhar nos olhos dele, como sentar à mesa com ele, como fingir que nada tinha mudado. Porque tudo tinha mudado. O beijo tinha mudado tudo.
E, de toda forma, ela devia essa visita aos pais. Fazia semanas que não os via, e Laura já tinha ligado duas vezes perguntando quando ela apareceria.
Lorena se vestiu rápido, escolhendo roupas simples, calça jeans, blusa de manga comprida e tênis.
Antes de sair, desceu as escadas em silêncio, os passos leves para não acordar ninguém. Na cozinha, pegou um pedaço de papel e uma caneta.
Vou visitar meus pais.
Ela olhou para as palavras por um segundo. Frio. Distante. Perfeito.
Não assinou. Não acrescentou nada. Apenas deixou o bilhete colado na porta da geladeira com um pequeno imã, e saiu.
O ar da manhã estava frio quando ela fechou a porta atrás de si.
Dante acordou com o sol já alto.
O quarto estava claro, a luz entrando pelas cortinas abertas. Ele piscou algumas vezes. Aos poucos, as lembranças foram voltando.
O bar, o táxi, o beijo.
O beijo.
Ele sorriu.
Não conseguia controlar. O sorriso brotava sozinho, bobo, desajeitado, como se ele tivesse dezoito anos de novo. Levou a mão ao rosto, os dedos nos lábios, revivendo o momento.
Ela o beijou.
Ela o beijou de verdade.
Dante se espreguiçou na cama, e foi então que percebeu. A cueca estava uma bagunça, como se ele fosse um adolescente. Não era a primeira vez que acordava assim. Estava sendo recorrente desde que Lorena passou a morar na mesma casa.
Ele suspirou, levantando-se.
O banho foi rápido, a água fria ajudando a clarear as ideias. Vestiu uma calça de moletom e uma camiseta simples. Esse era o primeiro fim de semana desde que casou que tinha uma folga de verdade.
E pretendia usá-la para ficar perto dela.
Dante passou as mãos pelos cabelos ainda molhados e encarou o próprio reflexo no espelho.



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