O fim de semana na casa dos pais foi exatamente o que Lorena precisava e exatamente o que ela não queria.
Precisava porque, desde que fugiu da mansão de Rafael, sua vida tinha sido uma sucessão de crises, decisões urgentes e emoções à flor da pele. O silêncio da casa simples dos pais, o cheiro do café coado na hora, a tranquilidade das tardes preguiçosas tudo isso a ajudou a respirar.
Não queria porque, no silêncio, os pensamentos voltavam.
Dante.
O beijo.
As palavras.
Eu te amo.
Ela tentou não pensar. Tentou se distrair com a mãe, que queria saber de todos os detalhes da festa, que perguntava sobre o trabalho, que notava o brilho diferente nos olhos da filha quando falava de Dante.
- Você está diferente - Laura comentou no sábado à noite, enquanto lavavam a louça juntas.
- Estou?
- Está. Mais leve. Mais solta.
Lorena não respondeu.
O celular vibrou na mesa da cozinha.
Dante: Como estão as coisas por aí?
Ela leu, mas não respondeu.
Dante: Precisa de alguma coisa?
Outra mensagem.
Dante: Quando você volta? Quer que eu mande o motorista?
Lorena guardou o celular no bolso e voltou a secar os pratos.
No domingo, as mensagens continuaram.
Dante: Bom dia. Dormiu bem?
Dante: Estou sentindo falta da sua companhia aqui.
Dante: Lorena?
Ela leu todas.
Não respondeu nenhuma.
A mãe percebeu o celular vibrando, percebeu a filha ignorando, mas não perguntou nada. Apenas apertou a mão dela sobre a mesa, num gesto silencioso que dizia mais do que qualquer palavra.
- Acho que esse rapaz realmente é bom - disse Laura, a voz suave, os olhos fixos na filha.
Lorena não respondeu.
Porque ela sabia. Sabia que ele era mais do que bom. Ele era paciente, atencioso, respeitoso. Fazia perguntas e esperava as respostas. Não impunha, não controlava, não sufocava.
Ele era um homem excelente.
O único problema era que não era dela.
Lorena desviou o olhar para a janela, onde o sol da tarde começava a se pôr.
Ele ainda tinha alguém no coração. Uma mulher misteriosa, um amor antigo, uma história que ela não conhecia. E ela não podia se deixar apaixonar por alguém que pertencia a outra pessoa.
É só um ensaio, repetiu para si mesma.
E ela deveria estar pronta para finalizar aquele ensaio a qualquer momento.
Na segunda-feira de manhã, ela finalmente respondeu.
O texto foi curto, direto e profissional.
Lorena: Vou atrasar um pouco hoje. Compenso no fim do expediente.
Não tinha "bom dia". Não tinha "como você está". Não tinha nenhum sinal de que o fim de semana tivesse existido.
Dante leu a mensagem no escritório, antes mesmo de sair de casa. A xícara de café esfriou na mesa enquanto ele a encarava, os dedos imóveis sobre o teclado.
Ela estava se afastando.
Ele tinha certeza.
O caminho para a Nexus Tech foi silencioso. O motorista perguntou se estava tudo bem, e Dante respondeu com um grunhido que não significava nada. O céu estava cinzento, nuvens carregadas ameaçando chuva.
Dentro do escritório, Theo já estava lá, os pés apoiados na mesa, o café na mão.
- Bom dia, chefe - disse, com o sorriso habitual.
Dante não respondeu.
Sentou-se atrás da mesa, ligou o computador, e encarou a tela como se ela tivesse algo a dizer.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia