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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 84

O fim de semana na casa dos pais foi exatamente o que Lorena precisava e exatamente o que ela não queria.

Precisava porque, desde que fugiu da mansão de Rafael, sua vida tinha sido uma sucessão de crises, decisões urgentes e emoções à flor da pele. O silêncio da casa simples dos pais, o cheiro do café coado na hora, a tranquilidade das tardes preguiçosas tudo isso a ajudou a respirar.

Não queria porque, no silêncio, os pensamentos voltavam.

Dante.

O beijo.

As palavras.

Eu te amo.

Ela tentou não pensar. Tentou se distrair com a mãe, que queria saber de todos os detalhes da festa, que perguntava sobre o trabalho, que notava o brilho diferente nos olhos da filha quando falava de Dante.

- Você está diferente - Laura comentou no sábado à noite, enquanto lavavam a louça juntas.

- Estou?

- Está. Mais leve. Mais solta.

Lorena não respondeu.

O celular vibrou na mesa da cozinha.

Dante: Como estão as coisas por aí?

Ela leu, mas não respondeu.

Dante: Precisa de alguma coisa?

Outra mensagem.

Dante: Quando você volta? Quer que eu mande o motorista?

Lorena guardou o celular no bolso e voltou a secar os pratos.

No domingo, as mensagens continuaram.

Dante: Bom dia. Dormiu bem?

Dante: Estou sentindo falta da sua companhia aqui.

Dante: Lorena?

Ela leu todas.

Não respondeu nenhuma.

A mãe percebeu o celular vibrando, percebeu a filha ignorando, mas não perguntou nada. Apenas apertou a mão dela sobre a mesa, num gesto silencioso que dizia mais do que qualquer palavra.

- Acho que esse rapaz realmente é bom - disse Laura, a voz suave, os olhos fixos na filha.

Lorena não respondeu.

Porque ela sabia. Sabia que ele era mais do que bom. Ele era paciente, atencioso, respeitoso. Fazia perguntas e esperava as respostas. Não impunha, não controlava, não sufocava.

Ele era um homem excelente.

O único problema era que não era dela.

Lorena desviou o olhar para a janela, onde o sol da tarde começava a se pôr.

Ele ainda tinha alguém no coração. Uma mulher misteriosa, um amor antigo, uma história que ela não conhecia. E ela não podia se deixar apaixonar por alguém que pertencia a outra pessoa.

É só um ensaio, repetiu para si mesma.

E ela deveria estar pronta para finalizar aquele ensaio a qualquer momento.

Na segunda-feira de manhã, ela finalmente respondeu.

O texto foi curto, direto e profissional.

Lorena: Vou atrasar um pouco hoje. Compenso no fim do expediente.

Não tinha "bom dia". Não tinha "como você está". Não tinha nenhum sinal de que o fim de semana tivesse existido.

Dante leu a mensagem no escritório, antes mesmo de sair de casa. A xícara de café esfriou na mesa enquanto ele a encarava, os dedos imóveis sobre o teclado.

Ela estava se afastando.

Ele tinha certeza.

O caminho para a Nexus Tech foi silencioso. O motorista perguntou se estava tudo bem, e Dante respondeu com um grunhido que não significava nada. O céu estava cinzento, nuvens carregadas ameaçando chuva.

Dentro do escritório, Theo já estava lá, os pés apoiados na mesa, o café na mão.

- Bom dia, chefe - disse, com o sorriso habitual.

Dante não respondeu.

Sentou-se atrás da mesa, ligou o computador, e encarou a tela como se ela tivesse algo a dizer.

Oitenta e cinco 1

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