Depois do almoço, Helena decidiu que era hora de gastar dinheiro.
- Vamos - disse, puxando Lorena pelo braço. - Você precisa de roupas novas. E eu preciso de distração.
Dante as seguiu alguns passos atrás, o celular em mãos, a expressão séria. Digitava rapidamente de vez em quando, provavelmente resolvendo alguma coisa que exigia sua atenção - mesmo que ele devesse estar no escritório.
A primeira loja era de vestidos. Lorena entrou sem expectativa, mas os olhos logo encontraram um modelo de ombro único na vitrine. Era elegante e simples - o tipo de roupa que ela não teria permissão para gostar antes.
- Gostou? - Helena perguntou, percebendo o olhar.
- É bonito - Lorena respondeu, desviando o olhar.
Dante entrou na loja, ainda ao telefone. Seus olhos percorreram o ambiente rapidamente e pousaram no vestido que Lorena estava olhando. Ele fez um sinal para a vendedora, apontou para o vestido e depois para Lorena.
A vendedora entendeu na hora.
Lorena só percebeu o que estava acontecendo quando a mulher se aproximou com uma sacola na mão.
- Vai ficar incrível na senhora - disse, sorrindo.
- Não, a senhora deve ter se enganado… - Lorena falou, empurrando a sacola de volta. - Eu não comprei…
- Seu marido já pagou.
Lorena olhou para Dante, que já estava de costas, ainda ao telefone.
- Pega logo, garota - Helena deu um empurrãozinho em Lorena.
A cena se repetiu nas lojas seguintes.
Uma bolsa. Lorena olhou, gostou, virou para ver o preço e achou caro demais. Minutos depois, a vendedora apareceu com a bolsa embrulhada.
- O senhor ali…
Dante, ao fundo, ainda ao telefone.
Um par de sapatos. Lorena experimentou, achou confortáveis, mas deixou na caixa. Na saída, a vendedora correu atrás dela com a caixa nas mãos.
- O senhor pediu para entregar.
Helena ria cada vez mais.
- Ele é assim mesmo - disse, os olhos brilhando. - Você ainda vai se acostumar.
Em um momento em que Dante se aproximou para pegar as sacolas que Lorena carregava e mostrar alguma coisa em uma vitrine, Helena puxou o celular da bolsa.
Click.
Quando os três pararam em um quiosque de sobremesas, o casal escolheu uma para dividir. Helena, que ainda bebericava de vez em quando seu chá e não ousava pensar em tocar em açúcar, aproveitou para tirar mais algumas fotos.
Enviou todas para Dante.
O celular dele vibrou. Ele olhou para as fotos, e um sorriso pequeno - quase imperceptível - surgiu em seus lábios.
Ele respondeu com uma mensagem curta.
Dante: Obrigado.
Helena: Vou te mandar o link do meu carrinho de compras.
Dante: Ok.
Antes que mandasse qualquer outra mensagem, uma ligação o fez se afastar das mulheres.
As três horas seguintes foram um misto de compras, risadas e pequenos momentos que Lorena sabia que guardaria na memória. Helena era uma companhia fácil, engraçada, generosa, e tinha uma forma de olhar para o mundo que fazia tudo parecer mais leve.
Ela é uma boa amiga, pensou Lorena. A melhor amiga que Dante poderia ter.
No fim da tarde, cansadas e cheias de sacolas, Helena se despediu.
- Preciso descansar para a campanha do fim de semana. - disse, com um sorriso
- Obrigada pelo dia - Lorena disse, sincera.
- O prazer foi meu.
Helena beijou o rosto de Lorena, deu um abraço rápido em Dante, e desapareceu no carro que a aguardava.
Dante e Lorena ficaram ali, parados, o sol se pondo atrás deles.
- Foi um bom dia? - ele perguntou.
- Foi - ela respondeu. - Muito bom.
Ele sorriu.
- Vamos para casa?
- Vamos.
Ela entrou no carro, o coração mais leve.
Na sexta-feira, ela teria um presente para dar.
E, talvez, uma pergunta para fazer.

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