Naiara respirou fundo, tentando ao máximo acalmar a agitação em seu peito.
— É melhor não ver. É feio.
Afonso, em uma rara demonstração de teimosia, insistiu.
— Deixe-me ver.
Após alguns segundos de silêncio, Naiara levantou a blusa, revelando a cintura.
No lado direito, havia uma cicatriz do tamanho de um punho. O tempo a havia desbotado para um tom rosa-pálido, mas ela ainda serpenteava pela pele, medonha e retorcida.
Contra a pele alva, a marca se destacava de forma brutal.
Era fácil imaginar a dor excruciante que ela sentira no momento da queimadura.
E a agonia prolongada pela falta de tratamento imediato.
Os dedos de Afonso pararam abruptamente a milímetros de tocar a ferida.
A dor que transbordou de seu olhar transformou-se em um longo suspiro.
— Você chorou?
Naiara abaixou a barra da blusa.
— Não. Eu sabia que chorar não adiantaria nada.
Ela havia tentado, no passado.
Achou que suas lágrimas poderiam amolecer o coração de Luciana.
Mas não adiantou.
Sua mãe apenas a achou barulhenta, um incômodo caprichoso.
Desde então, Naiara não derramava lágrimas com facilidade.
Embora, desde que engravidara, sentisse que a sensibilidade estava voltando.
A mão de Afonso finalmente pousou na nuca dela, afagando seus cabelos com extrema leveza.
— De agora em diante, se doer e der vontade, pode chorar.
Naiara deu um sorriso amargo.
— Chorar resolve alguma coisa?
— Resolve — afirmou Afonso.
— Resolve o quê?
— Se você chorar, saberei que está doendo. E darei um jeito de fazer a dor passar.
O olhar de Naiara permaneceu fixo no rosto dele por alguns segundos.
— Por que você é tão bom para mim?
— Porque você também é muito boa para mim.
Naiara pensou por um longo tempo.
— Acho que nunca fiz nada de tão bom por você.
Um sorriso sutil, quase imperceptível, surgiu nos lábios de Afonso.
— Fez, sim. Hoje mesmo.
Naiara realmente não conseguia entender.
— Hoje? Eu fiz?
— Sim. Você se preocupou comigo.
— E isso é ser boa para você?
— Parece que não precisaremos esperar até amanhã. Ele vai conhecer o líder da Aliança em pessoa hoje mesmo.
Ela tocou a campainha.
Pouco depois, a porta se abriu.
Gualter apareceu vestindo apenas uma calça de moletom, com o torso nu.
Os músculos definidos e as linhas do abdômen eram uma visão inegavelmente atraente.
Sendo alguém que apreciava a beleza, Naiara não fez cerimônia e deu uma boa olhada.
De repente, sua visão escureceu.
Afonso cobriu os olhos dela com a mão e ordenou com uma voz grave:
— Vá vestir uma roupa.
Gualter não era do tipo que recebia ordens calado. Cruzou os braços sobre o peito e já se preparava para retrucar, mas pensou melhor.
Aquele homem viera com Naiara.
Sem dizer uma palavra, deu meia-volta e foi para o quarto.
Quando retornou, estava completamente vestido.
Vestido até demais...
Naiara não conseguiu conter uma risada.
— Você não acha que está formal demais?
Terno, calça social... Só faltava a gravata.
— Mas devo admitir, essa roupa ficou muito bem em você.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...