Odete estava em seu quarto, dormindo profundamente, quando foi despertada pelo som de gritos vindos do outro lado do apartamento. Assustada, abriu os olhos no mesmo instante.
— Meu Deus…
Levantou-se depressa da cama e, sem nem calçar direito os chinelos, caminhou apressada pelo corredor.
Ao se aproximar do quarto de Sara, seu coração já batia acelerado. Empurrou a porta, entrou e o que viu fez seu corpo gelar.
Sara estava na cama, visivelmente abalada, Renato ao lado dela, tentando acalmá-la, e Lorena caída no chão.
— Senhor Renato… o que aconteceu aqui? — perguntou, atônita.
Sem perder tempo explicando, Renato apenas se virou para Odete, com o rosto sério e a voz firme.
— Odete, liga para uma ambulância agora.
A urgência no tom dele fez com que ela assentisse imediatamente.
— Sim, senhor.
— E chama a polícia também — completou ele, olhando rapidamente na direção de Lorena. — Agora.
Odete arregalou os olhos, mas não questionou.
— Já vou ligar. — Disse, saindo apressada do quarto, pegando o celular no caminho.
— Renato… não! — disse Lorena, com a voz trêmula, ao perceber o que ele havia ordenado. — Não chame a polícia… por favor. Nada disso é o que você está pensando!
Ao ouvir aquilo, ele ficou imóvel por um segundo. Então, com extremo cuidado, ajudou Sara a se deitar melhor na cama, ajeitando o travesseiro sob sua cabeça.
— Fica aqui… — disse, em tom mais baixo, tentando transmitir segurança. — Eu já volto.
Sara segurou levemente a mão dele, ainda abalada, mas assentiu.
Ele se levantou e, no instante seguinte, caminhou na direção de Lorena, furioso.
Quando parou diante dela, seus olhos estavam duros.
— Não é o que eu estou pensando? — repetiu, com a voz alterada.
Lorena tentou se erguer um pouco, apoiando-se no chão.
— Eu posso explicar, Renato, eu…
— EXPLICAR O QUÊ?! — gritou, fazendo-a se encolher.
Passou a mão pelos cabelos, completamente fora de si.
— Você acha mesmo que eu imaginei alguma coisa?!
Se inclinou um pouco na direção dela, encarando-a de perto.
— Eu vi com os meus próprios olhos o que você estava fazendo.
No mesmo instante, Lorena começou a chorar.
— Não era para chegar a esse ponto…
— Não era para chegar a esse ponto? — repetiu ele, incrédulo. — Você estava tentando matar a Sara!
Incapaz de sustentar o dele, Lorena desviou o olhar.
— Você passou de todos os limites e vai pagar por isso.
Ela voltou a olhar para ele, mas dessa vez, o desespero pareceu se dissipar. No lugar dele… surgiu algo mais frio. Ela parou de chorar, lentamente, ergueu o olhar e, quando falou novamente, sua voz havia mudado completamente.
— O que você viu nessa mulher? Me diz?
Sua voz se tornou estranha e gélida.
Renato franziu o cenho, percebendo a mudança.
— Lorena…
Mas ela o interrompeu.
— Eu realmente quero entender.
Ignorando a dor, ela se apoiou no chão, tentando se levantar.
— Porque eu fiz tudo certo. — Um sorriso leve e perturbador surgiu em seus lábios. — Sempre estive ao seu lado. Sempre fui tudo o que você precisava.
Deu um passo na direção dele.
— Enquanto ela… — lançou um olhar carregado de desprezo para Sara — não passa de uma garota sem graça, que surgiu do nada e não fez coisa alguma.
— Eu estou bem — respondeu Sara, ainda abalada, mas firme.
Como ela recusou ser levada, os paramédicos se despediram e foram embora.
Quando tudo se acalmou e ficaram novamente sozinhos, Renato se aproximou da cama onde Sara estava sentada, ainda tentando processar tudo.
— Não precisava ter chamado a ambulância — disse ela, em voz baixa.
Ele a encarou, sem hesitar.
— Claro que precisava. — Deu mais um passo à frente. — Eu me preocupo com você, Sara. Tudo o que quero é ter certeza de que você está bem.
Ela sustentou o olhar dele por alguns segundos, em silêncio.
Então perguntou:
— Por que você veio aqui… a essa hora?
Por um instante, ele pareceu hesitar, mas então decidiu não esconder.
— Porque eu não consegui ficar longe de você.
As palavras saíram diretas e sinceras, fazendo com que Sara sentisse o coração disparar.
— Eu sei que você quer ficar sozinha… — continuou ele, com a voz mais baixa. — E eu entendo isso.
Deu mais um passo, parando próximo à cama.
— Mas eu tenho medo.
Ela franziu levemente o cenho.
— Medo de quê?
Ele a encarou com intensidade.
— De que algo aconteça com você.
O silêncio se instalou por um instante.
— Então… — continuou ele, quase em um tom de súplica — eu te imploro. — Seus olhos não se desviavam dos dela. — Nem que seja para ficar aos pés da sua cama… como um cachorro. Me deixa ficar com você.

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