Embora estivesse exausta, Sara não conseguiu dormir bem depois de tudo o que havia acontecido na madrugada. O sono vinha em fragmentos curtos e inquietos, interrompido por lembranças que insistiam em voltar, tanto que, antes mesmo de o sol nascer, ela já estava acordada.
Sentada próxima à janela, com o olhar perdido no céu ainda escuro lá fora, estava imersa em seus pensamentos. O fato de Lorena ter aparecido ali no apartamento e ter tentado matá-la enquanto dormia ainda parecia irreal.
Só de lembrar da sensação do travesseiro pressionando seu rosto, fazia com que seu coração acelerasse de forma descompassada.
Sua respiração falhou por um instante. Era a segunda vez, naquela mesma semana, que escapava da morte.
Fechou os olhos por um segundo, tentando se acalmar.
“Escapava, não… Você foi salva.” — Uma voz surgiu em sua mente, lembrando-a de Renato.
Abrindo os olhos novamente, sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Era a segunda vez que Renato havia lhe ajudado e te tirado de uma situação mortal.
Suspirando pesado, lembrou-se de que ele estava bem ali ao lado, no quarto de hóspedes. Pensar nisso a fez recordar como ele estava tão vulnerável de madrugada, falando um monte de coisas que mexeram com ela de uma forma tão profunda.
— O que eu faço, meu Deus…? — se perguntou em silêncio, mordendo os lábios com força.
Seu olhar permaneceu fixo no céu que começava a clarear lentamente. Dentro dela, uma batalha silenciosa acontecia. Uma parte sua queria ceder e perdoá-lo. Queria acreditar em cada palavra que ele havia dito naquela noite… e simplesmente tentar seguir em frente, como se ainda houvesse uma chance de reconstruir tudo.
Mas a outra parte… ainda doía. Ainda lembrava e revivia cada detalhe do que ele havia feito.
Uma leve batida na porta a fez se virar rapidamente. Seu coração disparou no mesmo instante.
Será que é ele? — pensou, assustada.
Levantou-se e caminhou até a porta com cautela, ainda tentando controlar a respiração. Mas ao abrir, deu de cara com Odete e o alívio veio imediato.
— Bom dia, Sara, te acordei?
— Bom dia, Odete. Não, eu já estava acordada… — respondeu, abrindo mais a porta para que ela entrasse.
Odete entrou carregando uma bandeja nas mãos, onde carregava o café da manhã.
— Imaginei isso, por isso tomei a liberdade de trazer o seu café da manhã — disse, com um sorriso, caminhando até a pequena mesa próxima à cama.
Sara fechou a porta e a observou em silêncio por um instante, até comentar:
— Você sempre esteve cuidando de mim…
— Você sabe que eu me preocupo com você, como se fosse uma filha.
— Agradeço muito pelo que faz, Odete. Não sei como me sentiria nesse lugar se não estivesse aqui.
— Agradeço pela consideração, mas aposto que você se sentiria cuidada do mesmo jeito — disse ela, colocando o leite na xícara —, já que o senhor Renato está aqui no apartamento para cuidar de você.
Quando ouviu o nome de Renato, ficou um pouco sem jeito, mesmo assim fingiu não sentir nada.
— Ele já acordou? — perguntou como se não quisesse nada.
— Não — respondeu. — Na verdade, ele foi dormir quase agora.
— Sério?
— Sim. Passamos a madrugada conversando um pouco.
A curiosidade para saber o que os dois conversaram apareceu no mesmo instante, mas Sara tentou se manter composta.
— Então quer dizer que você nem dormiu direito, não é mesmo? — perguntou Sara.
— Não, eu não consegui. Ainda mais depois de tudo o que aconteceu.
— Nem me fale sobre isso — disse, ofegante. — Ainda não consigo acreditar no que a Lorena tentou fazer.

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