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Grávida de um mafioso romance Capítulo 252

Um ano depois...

Eu deveria estar brava por estragarem um vestido tão caro, entretanto me desmonto diante desses pares de olhinhos verdes suplicantes. Solto um longo suspiro, ultimamente vinha dando muitos suspiros e fazendo muitas contagens até dez. E me agacho para ficar na altura dos gêmeos segurando uma caixa branca, como sinal de paz por terem tirado a paciência da mamãe, outra vez.

- Desculpa mamma - eles dizem em uníssono, o que quebra qualquer argumento e qualquer resquício de vontade de lhes dar uma lição de moral - não vamos mais correr em lugares inóspitos - diz Aurora.

- É impróprios, stupido - repreende Tomás, ganhando uma careta da irmã.

- Ei, sem caretas e sem xingamentos. Peçam desculpas, agora - cruzo meus braços para demonstrar que não arredaria o pé daquele banheiro sem minhas vontades obedecidas. Logo, os dois pedem desculpas e se abraçam a contragosto.

Por mais que me estresse com as suas brincadeiras, com o comportamento de Tomás e o temperamento de Aurora, eles ainda são crianças. Entendo que ser mãe de primeira viagem de gêmeos seja algo totalmente novo e complicado, entretanto tenho meu italiano para lembrar-me de que não estou sozinha e principalmente que os gêmeos têm somente cinco anos.

Ou seja, tudo bem deixar a mamãe maluca as vezes, tudo bem correr pelo vinhedo e depois derrubar sorvete de chocolate no vestido de edição limitada dela. Tudo bem.

Luigi é compassivo, protetor e um bom mediador, provavelmente a caixa branca segurada pelas mãozinhas foi sua ideia. Removo a tampa e sinto o tecido sedoso com os dedos, era um vestido branco e pela quantidade de tecido, devia ser longo.

Aceito o pedido de desculpas, por mais que eu ame as surpresas que meu marido organiza junto com os gêmeos, preciso freia-lo. Não quero que os gêmeos sejam educados pensando que podem comprar perdão com presentes caros. Não quero que um dia Aurora chegue em casa com uma coleção limitada de bolsas da Prada e uma confissão de atropelamento doloso, nem tão pouco Tomás com um McLaren conversível embrulhado num laço vermelho acompanhado de uma medida restritiva por ameaçar paparazzis que tiravam fotos sem sua permissão.

- Dessa vez, deixarei passar mas na próxima... - faço suspense, ganhando os tão esperados olhinhos verdes arregalados - deixarei que o loiro do banheiro pegue vocês.

- No, mamma! - os pequeninos assustados se lançam sobre mim, me abraçando e choramingando em meu pescoço. Luigi diz que sou malvada por amedrontá-los, mas me sinto feliz por ter inventado esse hack. Toda criança cresce com medo de alguma lenda urbana e meus filhos não serão a exceção.

Aliás, essa história deixou de ser um elefante na sala, contei do meu primeiro encontro com Matteo para Luigi e como esperado, ele riu da minha cara. Por mais irritante que foi sua risada naquele dia, fico contente que nossa relação tenha evoluído de tal maneira que não haja mais segredos entre nós.

- Tudo bem, tudo bem, basta se comportarem e o loiro do banheiro não os levará enquanto estiverem tomando banho ou fazendo número um ou dois - afasto-os, caso passaria o restante da tarde nesse banheiro e perderia o final do passeio na vinícola de Don Frederico - agora, vão avisar ao papa que a mamma logo vai voltar.

Nisso, fecho a porta e troco de roupa. Me olho no espelho e se não fosse pelo cabelo ondulado rebelde solto, pareceria uma noiva. O vestido é belíssimo, o decote elegante em V na frente contrasta com o decote sexy nas costas, as alças delicadas e o tecido sedoso que escorria galante pelo meu corpo até o chão. Eu estava sendo convidada para um casamento surpresa ou...

Não. Luigi não seria louco de me fazer correr e suar procurando os gêmeos pelo vinhedo, não teria coragem de tramar um plano para que os pequeninos sujassem meu vestido novinho, não seria capaz de me enganar sobre o tão sonhado passeio em família pela vinícola de um dos amigos antigos do seu pai na Toscana...

Quando saio da pequena cabana e caminho para o meio do vinhedo, me deparo com um pôr do sol maravilhoso, um caminho de pétalas rosas que levavam até um altar com flores rosas e vermelhas. Meu italiano me esperava com... Cassandra??

E sim, ele tinha sido capaz.

Meu Deus, não somente minha sogra e chefe, como toda a família Benacci. Minha mãe e Roberto davam tchauzinhos e por algum milagre divino Matteo, Mariana e Chiara também estavam lá, sorrindo como se não tivessem passado mais de dois anos morando fora. Ítalo com seu marido e Melissa com... Melissa com Enrico?? Quando isso tinha acontecido?

Enfim, tenho vontade de correr para o altar e bater em Luigi, como ele inventa de fazer um casamento surpresa comigo nesse estado? Mas tenho que admitir, amei a surpresa até porque hoje é o meu aniversário e nenhum presente no mundo superaria esse.

Sinto meu vestido sendo puxado, olho para baixo e me deparo com a minha menininha segurando uma presilha.

- Quer colocar na mamma? - pergunto e ela sorri, balançando a cabeça animada.

Me agacho segurando o vestido para que Aurora prenda meu cabelo em um coque. De tantos experimentos no cabelo de Luigi, ela havia ficado boa em penteados, quem sabe a minha princesa venha se tornar uma hair stylist promissora?

- Falta o último detalhe - se pronuncia Giulia atrás de mim com uma câmera na mão e em sua outra um véu longo o suficiente para varrer o chão. Ela o prende sobre o coque e diz baixinho que estou perfeita.

Um som repentino começa a tocar, enquanto caminho de braços dados com minha mãe e meu padrasto... caramba, acho que nunca tinha chamado Roberto assim. Chegando mais perto de Luigi e Cassandra no altar, noto o quinteto de cordas que tocavam Video Games da Lana. Lembro-me da noite em que tomava vinho com meu italiano dentro do closet apos uma transa agitada e ele casualmente perguntar qual seria a nossa música. Eu ri, sem imaginar que nossa música seria tocada em nosso casamento.

- Ai de você se não cuidar bem da minha filha - minha mãe ameaça Luigi.

- Antes tarde do que nunca - Roberto b**e no ombro do meu italiano e sussurra algo em seu ouvido que o faz sorrir largo.

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