Estava uma tarde fria de outono, o vento fazia com que os galhos secos soltassem folhas amarelas sobre as lápides ao redor. Algumas bem cuidadas e outras esquecidas. Meu italiano gato se agacha na frente da nova lápide com o nome de Bárbara Alessa Ferraza e deixa um buquê de rosas brancas, de lado uma pequena lápide com o nome recentemente gravado, Aurora. Luigi retirou uma rosa do buquê e o colocou sobre a pequena lápide.
Me agacho e deixo um pequeno lencinho com o nome que Bárbara colocaria em sua filha, se ela existisse.
Aconteceu tudo muito rápido, Luigi aproveitou a guarda baixa da loira para salvar nossos filhos mas ninguém imaginaria que ela tiraria sua vida ali. Quando pediu perdão por tudo o que tinha feito, percebi de cara que não estava bem da cabeça. Tinha o olhar perdido e parecia pertubada, oca por dentro após a morte da irmã.
Luigi estava de costas, tinha respondido com sinceridade e alívio o tão sonhado "sim" dela. Ele não viu quando a garrucha foi posicionada ao lado da cabeça e a bala ultrapassou o crânio da loira, que em segundos estava caída no chão. Meu italiano olhou para mim, os olhos transbordavam de lágrimas e me cortou o coração vê-lo se culpar pela escolha dela. Não teve estômago para vira-se e vê-la caída na enorme possa de sangue que se formou e nem mesmo eu o deixaria ver.
O abracei naquele momento, com nossos filhos em nossos braços, de costas para aquele final trágico parecia um ponto final. Finalmente, parecia que todo o tormento e sofrimento tinha acabado para ambos. Afirmo isto baseada no sorriso calmo que estava no rosto da loira enquanto tirava a própria vida. Ela parecia conformada e em paz com o destino que escolheu. Me sinto mal por ela morrer achando que não merecia um final feliz, que não teria uma segunda chance.
Dentro do carro, meu italiano abaixou a cabeça no volante enquanto acaricio seu cabelo, ele parecia exausto e vir hoje após o funeral da Bárbara na semana passada, parecia ter consumido toda sua energia. Porém, acho que ele precisava vir, ver e aceitar os fatos para seguir em frente.
Não digo nada, sou péssima em consolar pessoas, então faço o que fiz nessa última semana: fico em silêncio ao seu lado, dando-lhe apoio, não muito para que se sinta sufocado e nem pouco para pensar que está sozinho. Apenas existo ao seu lado, esperando.
- Obrigado por ter vindo comigo - ele ergue a cabeça do volante e me encara - obrigado por ficar do meu lado nesse momento e por ser paciente, significa muito para mim - eu nunca o deixaria passar por isso sozinho. Eu posso não sentir o que ele está sentindo, mas posso entender o quanto a Bárbara foi importante no seu passado - e sobre o vídeo...
- Não quero saber do vídeo e nem da tortura que foram os dias que passei longe de você - acaricio sua bochecha e ele beija minha mão - não quero ouvir o quanto você sofreu. Quero deixar tudo no passado, mas se você acha melhor falarmos sobre isso, aceitarei sua decisão. Somente, quero deixar claro que o que me importa é que você está bem e está aqui. Eu aceito qualquer escolha sua porque te amo.
- Eu te amo - me inclino para um selinho cheio de carinho e um abraço confortável. Eu sabia que seria difícil para ele relatar tudo o que vivenciou durante o sequestro, não queria que vivenciasse cada minuto angustiante outra vez.
Luigi me puxa para o seu colo. Não existe nada de sexual ou excitante no momento, deixo que sua cabeça descance entre meus seios enquanto lhe faço cafuné. Ficamos a semana toda nessa mesma posição antes de dormir, sempre deixo que ele durma primeiro. Meu italiano gato merecia ser mimado por um bom tempo. Ou melhor, a vida toda.
***
Um ano depois...
Minhas mãos vagueiam pelas dezenas de cabides com roupinhas de grife para bebês, enquanto meus olhos focam na figura da mulher grávida escolhendo roupinhas na sessão masculina. Seria uma cena bonitinha de se ver, ela indecisa entre luvinhas e gorrinhos se sua grande barriga não fosse silicone e enchimento. Pelo que a equipe andou investigando, Janete Bouvier é uma francesa que tem envolvimento com tráfico de crianças e sua barriga falsa é apenas uma premonição. Ela logo se encontraria com a sua ligação do submundo para o último encontro antes do bebê ser traficado, ou seja, em poucos minutos eu conseguiria um rosto e um nome para investigar a fundo.
Por mais avisos que recebi da minha equipe e principalmente as reclamações insuportáveis de Matteo, não deixaria esse trabalho para outra pessoa. Sou uma ótima repórter investigativa, os anos na Montero me moldaram para ser uma detetive perto da perfeição. É quase uma missão destinada a mim e por estar tão bem inteirada sobre o assunto, não poderia recusar. E por mais que o nosso trabalho não tenha um lado fixo, essa instabilidade nos auxiliava, ora trabalhamos com a máfia ora trabalhamos com o FBI e ambos determinavam o final da operação com base na politica da sua organização.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Grávida de um mafioso
Continuação...
Onde está a continuação?...
Estou entrando em colapso preciso dos outros capítulos, só esse site é de graça 🥺...
Continua por favor,desde ontem que não saio do site só esperando o capítulo 190...
Preciso da continuação...