“Fale.”
As palavras de Finn saíram curtas, carregadas de uma tensão sutil e de uma raiva que poucos perceberiam.
O olhar dele parecia fixo na estrada à frente, mas sua mente estava longe dali.
“Sr. Lock, confirmei com o hospital... Disseram que a Sra. Lock instruiu pessoalmente para adiarem o aviso de que ela havia recebido alta.”
“Ridículo!”
O grito seco e impaciente atravessou o viva-voz.
Zane se sobressaltou.
Finn costumava ser o retrato da compostura, frio, distante e assustadoramente no controle das próprias emoções. Como homem de negócios, sua capacidade de conter o temperamento era quase perturbadora.
Aquela explosão repentina, sem filtros, era chocante.
Seria o mesmo homem?
Então caiu a ficha... Todas as vezes em que ele deixava as emoções escaparem do controle, era por causa de Tess. E agora, o mundo lá fora era muito mais perigoso para ela do que provavelmente imaginava. Sua reação fazia sentido.
“Conseguiu as imagens das câmeras? Ela deve ter pegado um táxi. Rastreie a direção, prioridade nas câmeras de tráfego.”
Finn conteve a fúria, e sua voz cortou direto a concentração de Zane, expulsando qualquer distração.
“Descubra para onde ela foi, depressa!”
Repetiu, mais afiado dessa vez. A urgência no tom deixava claro o quanto ele estava tenso e desesperado.
Zane não ousou perder mais um segundo. Transmitiu a ordem imediatamente.
Enquanto isso, Tess não fazia ideia de que Finn havia mobilizado metade dos recursos da empresa para encontrá-la. Sua mente estava inteiramente focada em escapar.
“Trabalho com isso há muito tempo. Quem já cruzou o meu caminho nunca teve um final feliz!”
O motorista bateu no volante, a voz escorrendo raiva, como se revivesse a cena do outro dia em que Tess o enfrentou.
Os olhos estreitos e perversos encararam-na pelo retrovisor, calculando exatamente como lidaria com ela.
Um arrepio subiu pela espinha de Tess sob aquele olhar. Ela o advertiu:
“Este é um país civilizado. Você tem ideia das consequências do que está fazendo?”
“Consequências?”
Ele zombou, o olhar brilhando de orgulho doentio.
“Tenho um laudo médico dizendo que sou mentalmente instável. Como acha que continuo solto depois do que aconteceu com as outras?”
Um calafrio percorreu o corpo de Tess. O sorriso convencido dele fez o estômago dela se revirar, o medo rastejando sobre sua pele como mil insetos.
Absurdo. Se ele realmente fosse incapaz, como ainda poderia dirigir? E se não fosse, então usava um falso diagnóstico como escudo, livre para machucar quem quisesse sem punição.
O peito de Tess se apertou de frustração, mas seus membros apenas ficaram mais frios.
Diante de um louco arrogante que se acreditava intocável, seu maior medo era o de não sair viva.
Pisou bruscamente no freio e, pelo retrovisor, observou a reação dela.
Tess olhou pela janela abaixada. Seu rosto empalideceu.
Ele riu alto diante da expressão dela.
A área era isolada, sem calçadas, apenas uma estrada de cascalho cercada por mata densa e mato alto que quase chegava aos joelhos.
“O que foi? Não vai descer?” O olhar dele cintilou com uma malícia repugnante.
Tess mordeu o lábio e voltou a subir o vidro.
“Pra onde está me levando? Não vou fazer isso aqui, no meio do nada.”
“Ricos... Sempre cheios de frescura, principalmente as mulheres. No fim das contas, não importa onde... Vai virar só um pedaço de carne.”
Como ela não insistiu em parar, o brilho perverso em seus olhos desapareceu.
Mulheres como ela, elegantes, sofisticadas, jamais se agachariam no meio do mato em plena luz do dia. Se pedisse pra sair ali, seria só por um motivo: fugir.
Um lampejo frio cruzou os olhos dele.
Olhou novamente para a mulher que mordia os lábios, fingindo vergonha.
Assobiando uma melodia desafinada, ele ligou o carro novamente.
Pelo retrovisor, Tess captou quase tudo, o olhar, o cálculo e aquilo lhe disse exatamente o que precisava saber.

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