A mente de Finn era um turbilhão, mas ele ainda assim acompanhou a linha de visão de Layla.
A tela do celular se iluminou com um alerta sonoro estridente.
O coração dele disparou quando o pegou nas mãos.
Uma mensagem surgiu na tela, curta, mas devastadora.
“Estou em perigo! Por favor, chame a polícia!”
Os olhos de Finn se estreitaram.
Ele reconheceu imediatamente o sistema de alerta de emergência do celular de Tess... Ela nem sequer conseguia enviar uma mensagem normal.
Aquele era o único jeito que tinha de pedir socorro.
O peito de Finn se apertou, como se uma mão invisível o comprimisse, tirando-lhe o ar.
A mensagem vinha com um link. Ele tocou sem hesitar, e um mapa se abriu.
O sinal de Tess piscava nos arredores do leste de Aetheris, mostrando todo o trajeto que ela percorreu na última hora.
Ele forçou-se a manter a calma, mas a rota era clara... Seguia direto para o extremo leste. E além dali, havia apenas um lugar.
Vongolia.
Um arrepio misto de calor e gelo percorreu seu corpo.
“Periferia leste. Direção a Vongolia!”, disse, num tom baixo e cortante, enquanto se jogava ao volante.
As palavras pegaram Zane de surpresa, que ainda terminava uma ligação e correu para entrar no carro.
“Uá! Uá! Lay! Lay!”
Layla, que até então estava quieta, começou a chorar alto, debatendo-se nos braços da babá, tentando alcançar Finn.
A força da menina surpreendeu a mulher, que olhou para ele, aflita.
A mão de Finn parou sobre a direção. Diversos pensamentos cruzaram sua mente antes que ele dissesse:
“Entre.”
A babá levou um segundo para entender que era com ela. Assim que ele falou, Layla parou de chorar, como se compreendesse.
As sobrancelhas de Zane se ergueram.
Seria isso o que chamam de instinto entre mãe e filha? Ele preferiu não pensar no assunto.
Finn acelerou. Zane se desequilibrou, quase batendo a testa no para-brisa.
O carro disparou como uma flecha, a velocidade impossível de ignorar assim que entraram nas ruas mais movimentadas.
Um agente de trânsito ergueu a mão para pará-los, mas antes que conseguisse dar o sinal, uma ordem de seu superior o fez recuar.
Sem ninguém para impedi-los, o Maybach seguiu em disparada, e logo o asfalto deu lugar ao cascalho irregular.
Menos de uma hora depois, o céu já estava escuro.
Enquanto isso, Tess se encolhia no fundo de um pequeno buraco que havia cavado com as próprias mãos.
Ao redor, estendia-se um mar sem fim de mato alto. A vegetação era densa e espessa, mas suas roupas escuras ainda se destacavam entre o verde.
Dr*ga! N-Não deve haver ursos de verdade aqui... Certo?
Curvada, rastejou até o tronco grosso de uma árvore, usando-o como abrigo antes de finalmente se erguer.
Um suspiro trêmulo escapou de seus lábios, mas ela sabia que ainda não estava a salvo.
Sua prioridade era chegar a algum lugar, qualquer lugar, onde houvesse gente.
Seguiu em frente, atravessando o mato o mais rápido que podia, sem parar.
A noite já estava completamente fechada, o tipo de escuridão em que mal se enxerga a própria mão.
Uma meia-lua brilhava fraca no céu, derramando um véu pálido sobre o campo. Tess usava aquela luz tênue para se guiar, avançando com passos rápidos, mas cautelosos.
Cada leve ruído da grama fazia seu coração disparar.
Ela não sabia se a ameaça dos ursos era real, mas a ideia pairava sobre sua cabeça como uma lâmina prestes a cair.
Por fim, o mato começou a ficar mais baixo.
O alívio lhe subiu ao peito quando seus pés pisaram o cascalho firme.
Mas a estrada estava deserta.
Continuou, seguindo o caminho até que a sombra de uma construção surgiu à frente.
O coração dela se acendeu de esperança, e ela acelerou o passo, mas o sangue gelou nas veias assim que conseguiu ver com clareza.
Era uma cabana de madeira em ruínas, com as paredes e a porta destruídas como se algo enorme e violento tivesse passado por ali.
Palavras ecoaram em sua mente: Os ursos estão aqui.

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