Tess recuou alguns passos, o olhar percorrendo o entorno, tomada pelo medo.
A noite estava quieta, exceto pelo ocasional sopro de uma brisa fria.
Ela pressionou a mão contra o peito, tentando forçar o próprio corpo a se acalmar.
Mas o destino parecia zombar dela; um som leve soou atrás de si.
Sua espinha enrijeceu. Os pés pareceram pregados ao chão.
Então, ela viu uma sombra enorme se estendendo em sua direção.
Tess ficou gelada da cabeça aos pés. Engoliu em seco sem perceber, a mente completamente em branco.
Aquela silhueta alta e maciça só podia ser de um urso.
As pernas enfraqueceram, e uma onda de desespero a envolveu.
Tinha escapado das mãos de um assassino apenas para acabar dilacerada por um urso?
Um sorriso amargo curvou seus lábios.
Ela chegou a imaginar o próprio testamento naquele breve instante, até que um par de olhos pretos, puros e inocentes, surgiu em sua mente.
O peito de Tess se apertou.
Layla.
Ela fechou os punhos.
Se algo acontecesse com ela, o que seria da filha?
Cerrou o maxilar, e uma coragem desesperada tomou conta de seu corpo.
Estava prestes a correr quando...
“Mama...”
Uma vozinha infantil ecoou na quietude da noite, nítida e doce.
Tess congelou.
Soava exatamente como Layla.
A pequena ainda não conseguia dizer ‘mamãe’ e sempre chamava por ‘mama’.
A mente de Tess girava em confusão quando a sombra se moveu e avançou de repente.
Os olhos dela se arregalaram. Já era tarde demais para fugir.
Ela fechou os olhos com força. O aroma de tabaco, quente, levemente inebriante, encheu o ar, seguido pelo calor de um corpo humano.
Sua mente caótica se apagou.
Braços fortes a envolveram, e um rosto se afundou em seu pescoço, segurando-a como um tesouro perdido enfim recuperado.
“F-Finn?”, murmurou, atordoada.
“Sou eu.”
A voz dele soou baixa, abafada, mas o aperto em seus braços apenas se firmou.
Ela mal conseguia respirar e o empurrou com os punhos. Relutante, Finn afrouxou o abraço, passando a segurá-la apenas pelo pulso.
Os olhos dele ardiam, vermelhos e selvagens, mas ao encontrarem os dela, parecia lutar para conter a torrente de emoções.
Tess franziu a testa, tentando se soltar, mas ele não cedeu.
A alegria e o alívio a atingiram de uma vez. Tess correu e pegou Layla nos braços.
Dessa vez, Finn a soltou de imediato.
“Você a trouxe até aqui? Sabe o quão perigoso é esse lugar?” Sua voz soou num tom de bronca.
Finn não respondeu, apenas manteve os lábios cerrados, absorvendo tudo.
Zane interveio rapidamente: “Sra. Lock, a Sra. Layla insistiu em vir. E, pra ser sincero, só conseguimos achar você porque ela te viu!”
Tess percebeu, então, que aquela vozinha que ouviu antes não era alucinação.
Ao ver o rostinho da filha tão de perto, o mesmo que tanto temeu nunca mais rever, sentiu o nariz arder.
Apertou a menina contra o peito, inalando o cheiro doce e leitoso dela, o coração finalmente sereno.
“Você é uma menina muito boazinha”, murmurou Tess, passando a mão pelos cabelos da filha, o semblante suave.
Sob o luar, ela parecia uma deusa antiga, serena e radiante.
O olhar de Finn pousou em seu rosto; seu semblante mudou, indecifrável.
Engoliu em seco e abaixou a cabeça, ocultando o brilho de emoção que reluzia em seus olhos.
“Já está tarde. Vamos pra casa”, disse, em tom baixo.
‘Vamos pra casa’... Palavras simples, mas que carregavam uma estranha e inesperada ternura.
Dessa vez, Tess não discutiu. Apenas assentiu.
Mas quando estava prestes a entrar no carro com Layla nos braços, parou.
“O homem que me sequestrou”, disse, com frieza: “É um assassino em série.”

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