Quem quebrou o silêncio foi Finn.
Dessa vez, Tess não respondeu. Apenas se levantou com Layla nos braços.
Ela lhe lançou um olhar frio. “Então você também devia ter clareza sobre a sua própria identidade, Sr. Lock.”
Duas crises consecutivas haviam sido resolvidas, ambas ligadas diretamente a ele. Pela primeira vez, Tess sentiu uma estranha calma em relação a Finn.
Ela não era do tipo que retribuía bondade com traição e, por mais que tentasse, não conseguia ser tão cortante com ele quanto antes.
Ainda assim, a ironia era difícil de evitar.
Segurando Layla junto ao peito, ela seguiu em direção ao quarto.
O vestido simples liso, com um brilho sutil, fazia sua silhueta esguia parecer ainda mais reta, ainda mais elegante.
O olhar de Finn a acompanhou até a porta se fechar.
Layla, ainda agarrada ao pescoço da mãe, olhou por cima do ombro dela e sorriu para ele, os olhinhos límpidos se curvando como duas luas crescentes.
Um pensamento cortante atravessou a mente de Finn.
Aquele rostinho tão familiar... Será que Layla realmente não era sua filha?
As sobrancelhas dele se uniram.
Ele havia chegado em casa mais cedo e, ao passar pela cozinha, ouviu a babá tentando acalmar Layla.
A pequena devia estar faminta... Quando o olhou, ainda havia duas trilhas úmidas de lágrimas no rosto.
Finn sempre prezou pela tranquilidade, mas, naquele instante, não sentiu irritação alguma. Em vez disso, estendeu os braços e a tomou da babá.
A mulher hesitou por um momento, mas logo lhe entregou a mamadeira.
Finn imitou seus movimentos, alimentando Layla com cuidado.
Ela o fitava com aqueles olhos escuros e brilhantes, mamando satisfeita, as bochechas redondas se movendo a cada sucção.
Por um breve instante, algo se moveu dentro do coração gelado dele.
“Parece que ela gosta mesmo do senhor, Sr. Lock”, arriscou a babá, com um sorriso nervoso.
Ele não negou... Apenas continuou observando o pequeno pacote em seus braços.
Será que Layla gosta de mim? E a mãe dela...?
A pergunta surgiu sem aviso.
E, no instante seguinte, ele se deu conta do próprio pensamento e ficou surpreso.
Mas no que estou pensando?
Pigarreou, disfarçando o leve embaraço.
Foi essa a cena que Tess encontrou ao entrar.
O que ela não sabia era que já fazia um bom tempo... Finn vinha entretendo Layla o suficiente para que até os funcionários da casa o olhassem de forma estranha.
Ao encarar a criança, os olhos frios dele suavizaram, tomados por uma ternura inesperada.
Tess ficou olhando para o celular, confusa.
O nome ‘Marc Dickinson’ piscou brevemente na tela antes de desaparecer.
O que será que ele está aprontando agora?
Franzindo a testa, ela colocou Layla na cama para ajeitá-la para dormir.
Depois de apagar a luz, outra mensagem de Marc apareceu: “Amanhã, vou te dar uma surpresa.”
Ainda intrigada, ela começou a digitar uma resposta, mas não retornou.
Acabou deixando pra lá e tentou dormir.
Lá fora, a noite parecia pesada, as nuvens espessas se entrelaçando no céu.
Mas nem todos conseguiram dormir.
No apartamento mais luxuoso de Aetheris, as luzes ainda estavam acesas.
Uma voz feminina, trêmula de raiva, ecoava pela janela entreaberta. “Três milhões e vocês ainda não conseguiram resolver? Inúteis! Juraram que cuidariam de tudo, e agora até os homens que mandaram foram presos?”
Do outro lado, depois de ouvir o desabafo, uma voz masculina respondeu com fúria. “A gente é que devia estar cobrando você! Não foi você que disse que ela era uma qualquer? Como ela acabou ligada ao Finn?”
As palavras a deixaram em silêncio por um instante, mas logo ela retrucou com veneno. “Ela é só uma presidiária prestes a se divorciar! Que tipo de ligação pode haver? Eu paguei três milhões!”
“E nem por trinta milhões a gente faria isso de novo! Esse trabalho quase matou a gente!”
Ele desligou antes que ela pudesse responder, talvez por raiva, talvez porque estivesse ocupado tentando conter as consequências.

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