Tess conhecia melhor do que ninguém a frieza dele com relação a ela.
Levou a mão ao peito, quase se dando um tapa, tentando se forçar a sair daquele estado.
Aquele pequeno lampejo de esperança que teve antes fincou-se em seu coração como um espinho.
Desde que saiu da prisão, ela se repetia para nunca mais criar expectativas em ninguém. Mas agora, bastou um leve indício de mudança em Finn para que voltasse a ser aquela versão ingênua e esperançosa de si mesma.
Tess cerrou os dentes e socou o próprio peito, como castigo por pensar daquele jeito.
“Waaahhh!”
Layla começou a chorar no berço.
O coração de Tess se apertou, e ela correu para pegá-la. Assim que foi acolhida nos braços da mãe, parou de chorar, fitando-a com olhos grandes e cheios de doçura.
Tess percebeu que provavelmente a havia assustado e suavizou a voz. “Está tudo bem, meu amor...”
Mas, diferente de antes, quando bastava um pouco de carinho, Layla ainda parecia inquieta, estendendo as mãozinhas, como se quisesse consolá-la.
Tess ficou imóvel, sentindo o nariz arder.
Por tanto tempo, ela esteve completamente sozinha em Aetheris, carregando tudo nas costas. Mas agora tinha Layla. Pela primeira vez em muito tempo, seu coração encontrou um ponto de descanso.
Apertou a filha contra o peito, deixando o cheirinho suave da menina acalmar seus pensamentos turbulentos.
Sentindo a serenidade da mãe, Layla finalmente sorriu.
Tess estava prestes a colocá-la de volta no berço quando o celular vibrou.
Uma mensagem de Connor apareceu na tela.
“Você está em casa?”
A imagem do rosto gentil dele surgiu em sua mente, e Tess respondeu educadamente: “Sim. Obrigada pela ajuda no baile.”
A resposta veio rápido: “Foi meu dever. Você é uma das principais designers da Cavrielle. Sempre cuidamos dos nossos.”
Tess sorriu, aliviada.
Ao lembrar-se do baile, digitou de volta: “Deveria agradecê-lo como se deve. Que tal eu te pagar uma refeição amanhã? Seria uma honra.”
“Será um prazer.”
...
Em vez disso, entregou-lhe um copo de leite batido e um prato de docinhos de chá verde. “Ouvi dizer que são as especialidades da casa. Experimente.”
Tess ficou um pouco sem graça.
Era uma casa de café com forte influência crorusesa. Ela nem havia pensado se Connor, sendo mestiço e mais acostumado à culinária estrangeira, se adaptaria bem àquilo.
“Está tudo bem pra você?”, perguntou, com um toque de culpa. Queria apenas oferecer algo típico da região.
Connor percebeu sua hesitação e sorriu. “Claro. Sou meio crorusês, e essas coisas são comuns na minha casa. Meu irmão é extremamente exigente, então temos um chef crorusês profissional.”
Tess assentiu, aliviada.
Foi então que Connor voltou o olhar para a criança em seus braços. “Ela é...?”
Tess hesitou um pouco, constrangida. “É minha filha. Não quis deixá-la sozinha em casa, então a trouxe comigo. Espero que não se importe.”
Ele ficou imóvel, encarando-a, visivelmente surpreso.
Filha?
Antes de vir, ele já havia pesquisado o passado dela... Sabia dos conflitos com o Grupo Lock, conhecia a história conturbada do casamento e os anos difíceis que ela enfrentou.

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