Bessie sentiu o ar ficar pesado e logo interveio para quebrar a tensão. “Mas que clima é esse? A Tess só tá preocupada se está se acostumando aqui. Relaxa!”
Deu um tapinha amigável no ombro da colega.
Sem esperar resposta, foi ajudar a carregar as sacolas de Wanda. A moça tentou recusar, mas a energia contagiante de Bessie tornava impossível negar.
“Deixa disso”, disse, pegando as bolsas e seguindo para o depósito.
Em segundos, restaram apenas Tess e Wanda naquele escritório amplo e silencioso.
O olhar de Tess pousou sobre ela, aparentemente tranquilo, mas com um corte frio e preciso que fez Wanda se remexer desconfortável.
Era como sentir uma agulha nas costas.
A expressão de Tess escureceu um pouco.
Havia algo errado.
Desde a primeira vez que viu Wanda depois de sair da prisão, aquela sensação de estranhamento não a deixava em paz.
Ela parecia mais velha, abatida.
A princípio, Tess achou que fosse o resultado das dificuldades na Mansão Evermount e da perda do emprego, apenas reflexo de tempos duros. Não deu importância.
Mas agora era evidente: Wanda parecia outra pessoa.
Estava inquieta, assustada, sempre pisando em ovos. Não era à toa que Bessie vivia dizendo para ela relaxar.
“Não vim por nada importante, só estava passando”, disse Tess, em tom leve.
Wanda assentiu, tentando disfarçar o nervosismo com um sorriso fraco.
“Avise a Bessie que eu já tô indo”, completou Tess, movendo o mouse do computador.
A frase terminou junto com o som de desligamento da máquina.
Os ombros de Wanda relaxaram.
Antes de sair, Tess deixou o olhar subir até o teto por um instante.
Discretamente, ligou as outras microcâmeras espalhadas pelo estúdio.
No começo, aquilo era só uma precaução... Havia instalado apenas uma perto da porta. Mas agora, com alguém de dentro traindo sua confiança, não restava escolha senão ativar todas.
Tess saiu rápido, sem hesitar.
Wanda a acompanhou até a porta, educada, e logo depois lançou um olhar na direção do depósito. Quando viu que Bessie ainda não voltou, escorregou para um canto e se escondeu.
Enquanto isso, dentro do táxi, Tess pegou o celular e a imagem de Wanda surgiu na tela.
“Alô? Senhor Hunt!”
O nome fez a mão de Tess tremer.
Senhor Hunt?
Um rosto que ela não via havia anos lhe veio à mente, e um arrepio gelado percorreu suas costas. Ela continuou ouvindo.
“A Sra. Lock apareceu hoje do nada. Tá esquisito... Não consigo me livrar da sensação de que tem algo errado...”
“Hã? Ainda quer fazer isso? Então...”
“Certo... Continuo de olho.”
….
Tess não conseguia ouvir o outro lado da ligação, não sabia se era quem imaginava, mas a voz de Wanda estava perfeitamente nítida.
Será que o irmão dele realmente tinha uma queda por Tess?
Resmungou consigo mesmo, mas, como bom irmão mais novo, decidiu que seria o cupido da situação.
Afinal, família é família.
Suspirou teatralmente.
Pelo visto, ia sobrar pra ele resolver isso.
Perdido nesses pensamentos, levou um susto ao sentir um toque leve em sua mão.
“Oi!”
Uma comissária de bordo se inclinou ao lado dele, as bochechas coradas. “Desculpe incomodar, mas... Você é o Marc? O estilista famoso?”
Ele piscou... Tinha esquecido de colocar os óculos escuros. Coçou a nuca e abriu um sorriso. “Sou eu mesmo.”
“Depois do pouso, posso pedir um autógrafo? Minha irmã estuda na sua antiga escola e te admira demais!”
Ele concordou de bom humor.
A conversa logo atraiu olhares curiosos dos passageiros próximos.
Sydney ergueu os olhos.
Marc?
O jovem prodígio que entrou na lista dos principais designers internacionais?
Quando percebeu, Marc já tinha puxado uma máscara de dormir e se ajeitava para tirar um cochilo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Grávida e presa, ela voltou para se vingar