Steven sentiu a tensão se dissipar, e um leve sorriso se formou em seu rosto. Pelo canto do olho, fitou novamente Tess, e o sorriso se aprofundou.
Era essa a mulher que ele lembrava.
Doce, mas cheia de uma força silenciosa.
Agora, porém, havia nela um brilho mais afiado, uma firmeza que a Tess de antes não tinha e isso, curiosamente, o confortava.
O almoço tinha sido agradável e animado, mas Tess foi a primeira a se levantar. “Se precisar falar comigo, tem meu número. Me avise quando a data do julgamento for marcada.”
Ela entregou seu contato a Tommy.
Steven não tentou impedi-la. Apenas assentiu levemente.
Já tinham passado bastante tempo juntos, e o trabalho acumulado no laboratório o aguardava. Precisava ir.
Mal deu alguns passos, e Tess fez um gesto, dispensando-o. Não precisava que ele a acompanhasse até a saída.
Ele só desviou o olhar quando ela desapareceu à distância.
Tommy também a observou por um instante antes de falar, num tom cheio de respeito: “Ela é ainda mais impressionante pessoalmente.”
Steven não confirmou nem negou. “Ela não vai te decepcionar.”
Trocaram um breve olhar, uma compreensão silenciosa passando entre os dois.
Tess, alheia a isso, já estava no banco de trás de um táxi.
Tinha passado o dia inteiro envolvida em pequenas tarefas e quase esquecido algo importante. Ver Nadine mais cedo fez sua memória despertar.
Como os esboços de suas criações tinham ido parar nas mãos dela?
A pergunta a atingiu como um soco, e sua expressão se contraiu.
Aquilo não era um problema pequeno.
Ela nunca havia tirado aqueles desenhos do ateliê. Alguém os tinha vazado.
Seu rosto ficou sério.
O ateliê agora era um espaço privado, e apenas Bessie e Wanda a ajudavam a mantê-lo.
O que significava que o vazamento só podia ter vindo de uma das duas.
Tess apertou os lábios.
Seu primeiro impulso não foi buscar provas, e sim evitar a resposta.
Não queria que nenhuma delas fosse culpada.
Bessie tinha sido um apoio inestimável nos momentos mais difíceis dela e de Layla.
Wanda, por sua vez, ela havia protegido e quando Tess partiu, pagou um preço alto para ajudá-la.
Como uma delas poderia traí-la?
Tess fechou os punhos, mas a razão logo tomou o controle.
Baixou a cabeça e mandou mensagens para ambas... Pediu que Bessie comprasse tecidos e que Wanda fosse buscar ferramentas e acessórios.
Incluiu as listas e avisou que passaria mais tarde para verificar o material.
“Pode me deixar umas centenas de metros antes do endereço”, pediu ao motorista.
Ele assentiu, e logo ela avistou a porta trancada do ateliê.
Parou e testou a maçaneta... Estava mesmo fechada.
Foi a Wanda.
Mas Wanda?
Tess olhou para a tela, incrédula.
Por que Wanda faria isso?
Quando ela estava afundando, foi Tess quem a tirou do fundo do poço.
Algo dentro dela pareceu se partir.
Uma voz alta e animada rompeu o silêncio.
“Ah, querida, que carinha triste é essa?”
Tess levantou o olhar e viu Bessie e Wanda entrando juntas.
Ela desligou o monitor com calma, mas não antes de perceber o lampejo de pânico nos olhos de Wanda.
“Sra. Lock, o que a trouxe aqui? Pensei que viria mais tarde”, disse Bessie, sorridente.
Tess devolveu o sorriso, mas manteve o olhar preso em Wanda.
“Está se adaptando bem aqui?”
A pergunta fez Wanda enrijecer.
Um lampejo de inquietação cruzou seus olhos antes que conseguisse disfarçar.
Por que essa pergunta? Será que ela descobriu o que eu fiz?
Tess percebeu a reação.
“Sim... Está tudo bem”, respondeu Wanda, a voz um pouco trêmula.

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