Entrar Via

Grávida e presa, ela voltou para se vingar romance Capítulo 57

Ela não passava de uma palhaça, algo para os outros rirem.

Os dedos de Tess se fecharam com força cada vez maior.

“Senhora...”

Antes que Zane pudesse insistir pela terceira vez, Tess arrancou a máscara que cobria seu rosto.

Seu semblante pálido e delicado ficou exposto para todos verem. Uma cicatriz rosada, ainda recente, descia pela bochecha, uma lembrança inconfundível de sofrimento.

Foi como se o mundo tivesse parado.

Todos encararam a mulher no centro do saguão, e os cochichos barulhentos de instantes antes se dissolveram num silêncio absoluto.

“Meu Deus! É a Sra. Tess!”

Alguém puxou o ar e cobriu a boca rapidamente, mas no silêncio, o som ecoou como uma pedra caindo na água.

Dezenas de olhos se voltaram para ela, cada um com sua própria reação, todos fixos na mulher de cabeça baixa.

Ela parecia ter perdido toda a força, toda a voz, como uma flor murcha, curvada, sem vida.

Seu rosto não demonstrava emoção alguma, mas seus joelhos tremiam, as articulações doíam com o frio que começava a penetrar.

Naquele instante, ela se sentiu de volta à prisão, despida de tudo, inclusive da dignidade.

Fechou os olhos com força, e uma risada amarga escapou de seus lábios.

“Ela tá rindo? Depois de tudo isso?”

“É aquela mulher que roubou documentos confidenciais do Sr. Lock. Sem vergonha.”

“Sua risada é horrível. Sinceramente, chorar ficaria melhor.”

Nadine riu baixinho, levando a mão aos lábios num gesto de falsa delicadeza.

Zane, observando tudo, sentiu um arrepio profundo. Aquilo não era riso, ele via claramente. Ela estava chorando.

Não... Era algo muito pior.

Se o Sr. Lock ver isso...

Desesperado, Zane enviou uma mensagem: “A Sra. Lock está aqui. Situação grave.”

A resposta veio na hora: “Estou do lado de fora.”

Instintivamente, Tess tentou aquecer o corpo, pressionando as mãos contra as pernas.

Mas suas costas estavam rígidas, dormentes, como se milhares de formigas invisíveis lhe roessem os ossos.

Seu rosto ficou pálido como papel.

Olhou em volta, atordoada. Quem cruzava seu olhar se encolhia, abaixava a cabeça e murmurava atrás das mãos.

Mais pessoas entravam no saguão a cada minuto, e o silêncio logo deu lugar ao burburinho de vozes e passos.

“Como... Como a Sra. Tess acabou assim?”

Um sussurro passou perto, logo engolido pelo som de passos que se aproximavam.

Tess havia suportado inúmeros pesadelos na prisão.

Aquele lugar era o inferno.

Diziam que ela voltou diferente, mas ninguém fazia ideia do quanto. Aquele ano atrás das grades quase a destruiu. Teria enlouquecido, se não fosse por Layla.

Sério? Tão pouco tempo? Você sobreviveu à prisão e agora não aguenta isso?

“Ainda chamam ela de advogada? Tá na lista negra há tempos.”

“Tsk. Veio implorar perdão pro Sr. Lock, aposto.”

As provocações não paravam.

A coluna de Tess foi se curvando aos poucos, o peso da vergonha esmagando qualquer resistência.

O suor grudava seus cabelos à testa, e o calor sufocante contrastava com o frio que corroía suas pernas.

Ela se sentia um animal em exposição... Cutucado, observado, humilhado. Bem ali, no mesmo lugar onde um dia deixou sua marca.

Um sorriso amargo surgiu em seus lábios.

A crueldade de Nadine não tinha limites. E Tess não podia fazer nada.

Então, o som de passos, firmes, pesados, cortou o ar, silenciando os murmúrios.

Um homem alto entrou, cercado por seguranças e executivos.

Na hora, todos abaixaram a cabeça. “Sr. Lock.”

As sobrancelhas de Finn se franziram ligeiramente enquanto ele percorria o saguão com o olhar.

Como se obedecendo a um instinto, a multidão se abriu, formando um caminho livre.

E lá estava ela... Exposta, no centro do saguão.

As pupilas de Finn se contraíram.

A visão o atingiu como um soco. O peito apertou, e a imagem dela se gravou em sua mente, queimando por dentro.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Grávida e presa, ela voltou para se vingar