O carro seguia devagar pela estrada.
Como se quisesse confirmar se a mulher empurrando o carrinho era mesmo Tess, Alan deliberadamente a seguiu por um bom tempo.
A mulher empurrava um carrinho de limpeza pesado, enquanto um dos braços segurava o bebê enrolado em um cobertor.
O vento frio soprava com força, e ela avançava com passos lentos e desajeitados. Estava envolta em um casaco velho e estufado, coberto por um colete de segurança amarelo neon que de nada servia contra o frio. Seu corpo tremia a cada rajada de vento.
O carrinho que empurrava era pesado. Ela não tinha escolha senão se curvar, usando toda a força que ainda lhe restava para movê-lo.
De repente, o carrinho passou por uma pedra e sacudiu violentamente. Tombou.
Instintivamente, ela apertou o bebê contra o peito e tentou segurar o carrinho com uma das mãos, mas foi em vão.
Tudo desabou, arrastando-a junto.
Seus joelhos bateram com força no asfalto. Seu rosto se contorceu de dor e, por um bom tempo, ela não conseguiu se levantar.
Apenas o bebê em seus braços continuava ileso. Ela mexeu-se um pouco e encostou a cabecinha no peito da mãe, claramente procurando alimento.
Os lábios começaram a se mover, faminta e prestes a chorar.
O choro de um bebê com fome é o som mais dilacerante que existe.
Tess cerrou os dentes. O suor cobria sua testa, mas ela reuniu cada gota de força para colocar o carrinho de volta de pé.
“Desculpa, Layla”, sussurrou.
“É só mais um pouquinho. A mamãe já vai terminar. Logo a gente vai comer.”
O carro vinha a seguindo havia um bom tempo, e só então Tess percebeu.
Olhou por cima do ombro, alerta e desconfiada.
Quem seria? Só alguém passando?
Alan bufou. Nem por um segundo acreditou nisso.
Impossível!
Como uma mulher tão miserável e desfigurada poderia ser a senhora Ember?
Ele não tinha paciência para perder tempo com uma varredora de rua. Acelerou o carro e foi embora.
No banco de trás, Max nem imaginava o que Alan fazia. O fone Bluetooth piscava com uma luz azul suave enquanto ele falava fluentemente em outro idioma. Estava no meio de uma ligação de negócios internacional. Seu terno impecável e seus gestos elegantes deixavam claro que ele era um homem nascido para liderar.
Quando o carro passou por uma grande poça, a água suja espirrou alto e caiu sobre Tess.
Pessoas que dirigem carros de luxo raramente pensam nos transtornos que causam.
Tess virou-se a tempo de proteger Layla do jato gelado.
Sua filha era tudo o que importava.
“Layla, será que eu vi errado?”, sussurrou.
“Aquele carro parecia tão familiar. Não.” A voz de Tess tremia. “Não pode ser.”
Não podia ser ele.
Ela havia confiado em Max, o tratou como um irmão mais velho. Foi o único a quem contou tudo, até mesmo o segredo de seu amor por Finn.
Mesmo que Max fosse o rival jurado de seu esposo, ela nunca duvidou dele.
Mas Max usou um documento confidencial para vencer um processo contra Finn. E ganhou fama instantânea e o reconhecimento de sua família.
O bastardo se tornou o legítimo herdeiro dos Hunt.
Max chegou ao auge.
E ela caiu na lama.
Por quê comigo?
Por que me usou como um degrau pra subir na vida?
Era o mesmo homem que prometeu esperar, que disse que a defenderia no tribunal e provaria sua inocência.
O mesmo que, no momento do julgamento, trocou de lado e testemunhou contra ela.
Max era o terceiro filho dos Hunt.
Foi ele quem deu o falso depoimento que a mandou pra prisão. E ela tinha certeza de que ele já havia esquecido a mulher que ficou atrás das grades por causa dele.
Pensar em Max já não doía. O coração de Tess estava dormente.
Ela apertou Layla contra o peito e acelerou o passo no vento frio.
Vinte minutos depois, chegou ao dormitório das funcionárias da limpeza.
Tess usou parte do adiantamento do salário para comprar uma mamadeira nova. Esterilizou-a com água fervente e preparou o leite para a bebê.
Assim que se alimentou, Layla parecia plenamente satisfeita. Suas mãos gordinhas seguravam o dedo da mãe como se fosse o único porto seguro do mundo.
Tess limpou o rostinho dela com uma toalha macia, e naquele pequeno semblante viu um traço conhecido.
O rosto sério, o olhar firme, a expressão fria de quem raramente sorria...
Pobre menina.
“E o pai dela? Não ajuda? Nem um pouco?”
Tess hesitou. Outra vez aquela pergunta.
“Ele está com outra, né?”, arriscou Bessie, notando a incerteza no rosto dela.
Deu um tapa na própria perna. “Sabia!”
“Você tem uma vida difícil, Tess. Criar um bebê sozinha não é brincadeira. Toma.”
Ela pegou algo do carrinho e entregou a ela. Era um chocalho ainda embalado. Devia ter sido perdido por alguém.
“Encontrei isso hoje. Está novinho. Pensei na Layla e trouxe pra você.”
Depois acrescentou: “Vou ver se tenho roupas de bebê guardadas. Eram do meu filho quando era pequeno. Estão gastas, mas limpinhas. Espero que aceite.”
A bondade dos outros sempre tocava Tess profundamente. A voz dela embargou quando respondeu, grata: “Roupas usadas trazem sorte. Layla e eu agradecemos. De verdade.”
Bessie assentiu. “Dizem que bebê que usa roupa passada de outro cresce saudável e protegido.”
Ela olhou para Layla e balançou o chocalho diante dela. A pequena esticou as mãozinhas e balbuciou de alegria.
“Ela é uma gracinha, tão calma e doce... Mas o pai dela foi embora como se não importasse. Querida, quando crescer, seja boa pra sua mamãe, tá?”
Então, levantou os olhos, pensativa. “Tess, você ainda fala com o seu marido?”
Ela parou, depois balançou a cabeça. “Não.”
Bessie piscou, surpresa. “Espera... Então você vai se divorciar?”
Divórcio.
A palavra atingiu Tess como um choque.
Sim. Divórcio.
Sou a Senhora Lock apenas no papel, um título vazio.
Enquanto esse casamento continuar existindo, ainda serei a esposa dele. E cada dia com esse título será como vestir uma pele que não é minha.
Aquilo que um dia foi o sonho da minha vida, agora é uma prisão.
Mas para pedir o divórcio, preciso da assinatura dele.
Um pensamento súbito começou a se formar em sua mente.

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