De repente, uma mão fria e trêmula agarrou o braço do motorista. Os olhos da mulher estavam arregalados, marejados, tomados de desespero e dor. “Por favor! Eu imploro! Alguém levou minha filha!”
“O quê?”
O motorista arregalou os olhos, chocado. Num único movimento, puxou Tess do chão. “Não entre em pânico, moça. Rápido, me conta tudo. Quem levou sua filha? Você viu quem foi? Eu te ajudo a ir atrás!”
A voz dele transbordava indignação e prontidão pra agir.
Tess, sem forças pra se controlar, desabou. As lágrimas desciam sem parar.
Ela soluçava tanto que mal conseguia falar. “Tava muito escuro... Não vi quem era.”
Isso o deixou sem ação. Cerrou o maxilar, frustrado, queria ajudar, mas não sabia por onde começar.
Tess o agarrou de novo, como se segurasse seu último fio de esperança.
“Eu sei onde procurar. Mansão Evermount. Por favor, me leva pra lá!”
O motorista piscou, confuso.
Evermount?
Lançou-lhe um olhar desconfiado.
Não era aquele um dos bairros mais ricos da cidade? Gente rica não costumava sair por aí sequestrando crianças, certo?
Mas, ao encarar os olhos devastados de Tess, ele não teve coragem de negar. “Tá bem, entra!”
Jogou a mala no porta-malas, bateu a tampa e pisou fundo no acelerador.
O carro estava quente por dentro, o aquecedor zumbia suavemente, mas Tess não parava de tremer. O suor frio ainda grudava em suas costas. A mente dela fervilhava.
Ela nunca foi o tipo de pessoa que fazia inimigos. Sempre viveu quieta, de forma discreta. Então por que Layla? Por que a filha dela?
Tess tentava controlar a respiração, tentando ligar os pontos.
A recepcionista... Desde o início parecia estranha. Será que tudo tinha sido planejado? Alguém teria armado tudo depois que ela fez a reserva, esperando o momento certo pra pegá-la?
Um arrepio frio percorreu sua espinha.
Aquilo não era coincidência. Era premeditado. Tinham ido atrás dela e de Layla.
Tess sentiu como se tivesse sido mergulhada em água congelante.
Fora Nadine, ela não tinha desavenças com ninguém.
Nadine?
O ar lhe escapou dos pulmões. Um brilho cortante surgiu em seu olhar.
Se fosse mesmo Nadine, ela faria aquela mulher pagar.
Tess fechou os punhos e virou-se para o motorista, a voz tensa. “Moço, falta muito?”
O homem não tirou os olhos da estrada. “Você saiu da parte sul da cidade. Evermount fica do outro lado... É o bairro mais caro de Aetheris, tirando o centro. É longe.”
Mesmo assim, ele acelerou mais.
O coração de Tess afundou.
“Moça, por que não chamou a polícia? Digo, sua filha foi levada. A polícia não seria mais rápida?”
O motorista aproveitou uma brecha no trânsito e olhou pra ela pelo retrovisor.
“Chamar a polícia não seria melhor?”
Tess balançou a cabeça.

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