O coração de Tess deu um salto, e ela rapidamente desviou o olhar.
Enquanto isso, Finn manteve os olhos fixos em seu rosto.
“Já é a segunda vez.”
As palavras dele a pegaram totalmente desprevenida, e suas mãos congelaram no meio do movimento.
Segunda vez? O que ele queria dizer com isso?
Confusa, ela ergueu os olhos e encontrou o olhar indecifrável dele.
No instante seguinte, entendeu.
A primeira vez tinha sido quando Layla teve diarreia no hotel, e ele a ajudou a cuidar da filha.
Agora era a segunda... A garotinha havia sido sequestrada, e novamente ela estava o incomodando em plena madrugada.
Os lábios de Tess se contraíram. “Vou levar a Layla e ir embora amanhã.”
“Você entendeu errado.”
Finn puxou uma cadeira com calma e se sentou.
Layla, agora satisfeita e cheia de energia, se remexia e balbuciava nos braços dele. Apesar da inquietação da menina, ele a segurava com firmeza.
A cena de um homem de terno segurando um bebê com uma chupeta devia parecer absurda, mas, estranhamente, parecia... Certa.
Tess piscou e suavizou o tom. “Então o que quis dizer?”
“Max não está errado em uma coisa... Você e a Layla não estão seguras sozinhas lá fora. E Aetheris pertence aos Lock.”
Ele soava arrogante, mas Tess não discutiu... Não estava errado.
Os Lock eram a família mais rica de Aetheris e controlavam toda a economia da cidade.
Sob a proteção dele, ela não precisaria continuar fugindo com Layla, vivendo em constante medo.
O olhar de Tess se apagou.
Ela acreditava que podia criar Layla com segurança e lhe dar uma boa vida sozinha.
Mas depois do sequestro, foi obrigada a repensar tudo.
Será que ela realmente conseguia proteger Layla?
Max podia mandar seus homens arrancarem sua filha de seus braços, na maior audácia e ela não podia fazer nada.
Tess começou a desmoronar, como se um peso imenso tivesse sido colocado sobre seus ombros. Até respirar parecia difícil.
Finn percebeu a mudança em seu semblante. Sua voz suavizou instintivamente. “Você é minha esposa. A Mansão Evermount sempre será seu lar.”
O tom dele ficou gentil, quase persuasivo.
“Não.”
Tess balançou a cabeça.
Finn ficou surpreso.
Ela mordeu o lábio e então tirou Layla delicadamente dos braços dele.
Finn fitou seus olhos e perguntou: “Por quê?”
Tess deu um passo para trás, criando distância entre eles.
“A Mansão Evermount não é meu lar. E também não é o da Layla”, respondeu.
Deixa pra lá...
Ela se mexeu quando a luz do sol acariciou seu rosto.
Layla ainda dormia, então ela se moveu com cuidado e começou a arrumar as coisas em silêncio.
Ao abrir a porta do quarto, a mansão estava calma e silenciosa.
Tess espiou cautelosamente, analisando o corredor. Quando teve certeza de que Finn não estava por perto, empurrou a mala para fora.
Não pôde evitar o medo de que ele mandasse alguém impedi-la... Sua ausência tornava tudo mais fácil.
Layla já estava acordada quando ela voltou ao quarto. A bebê esfregava os olhinhos e sorria para ela.
Um aperto agudo tomou o peito de Tess.
Tudo o que ela sempre quis era dar a Layla uma vida segura e estável. Em vez disso, a arrastou por uma sequência de caos e medo.
E, mesmo assim, a pequena continuava doce e compreensiva.
Tess a pegou no colo e a abraçou com força.
Os corações das duas batiam em sintonia, e parte do peso em seu peito começou a se dissipar.
Mas, ao chegar à porta de entrada, ela parou de repente.
Virando-se, observou o layout familiar da mansão. Sua mente a levou de volta àquele dia, há apenas alguns meses, quando saiu dali sem olhar para trás.
Suas mãos se fecharam em punhos. Mas, após uma breve pausa, ela deu mais um passo adiante.
Do lado de fora, um táxi já a esperava. Assim que Tess entrou, uma figura escondida nas sombras deu um passo à frente.
O olhar venenoso da mulher seguiu o carro se afastando, os dentes cerrados em pura raiva.

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