Meu sobrinho dorme tranquilo em sua cadeirinha no banco de trás, alheio as atitudes do pai e isso me deixa mais protetora. Coberta de coragem e decidida a não facilitar as coisas, tento distrair Pedro para descobrir nosso destino. Ele não baixa a guarda e me dá respostas evasivas.
— Aurora não desmaiou, não foi? —Faço a pergunta para Pedro, mas observo o rosto pálido e adormecido da minha irmã.
Ele me olha pelo espelho retrovisor e se mantém em silêncio, mantendo a arma em uma de suas mãos enquanto dirige em velocidade.
— O que você fez com ela?
— Fique quieta, Amélia. — Me repreende, checando a todo instante se alguém nos segue.
— Meu pai sabe sobre seus planos?
Silêncio.
—Minha mãe tentou me alertar, ela sabe algo de você. — Ganho sua atenção.
— O que você quer dizer?—Pergunta.
— Ela queria me manter afastada, achei que era por ela ter visto algum dos seus beijos, mas agora acredito que existiam outros motivos.
— Sua irmã está bem. Eu apenas lhe apliquei sedativo. — Confessa, mudando o rumo da conversa e me preocupo.
— Você a drogou? — Pergunto atônita.
— Ela não aceitaria vir de bom grado.
— Pra onde estamos indo?— Questiono.
Ele sai da avenida principal e entra em uma rua deserta com pouca visibilidade.
— Nosso novo lar, meu bem. —Sua voz me causa arrepio.
— Você está louco, Pedro. Precisa de ajuda.— Sinto as lágrimas voltarem a descer pelo meu rosto.
—Tudo o que eu preciso é de você, Aurora e Arthur. Minha família.
Céus, ele quer nós duas?
— Você não precisa fazer isso. Aurora te ama. — Tento persuadi—lo, receosa por estarmos nos afastando mais e mais da estrada.
—E você?
— Eu o quê?
— Você me ama, Amélia? —Engulo a seco, sentindo minha saliva descer rasgando pelas paredes da minha garganta.
— Eu...
— Você ama ele, não é? — Sua voz sai sarcástica, inundada de ressentimento e não preciso pensar muito para saber de quem ele fala.
— Sim. — Respondo, não me esquivando por um segundo da resposta.
Ele acelera o carro, fazendo com que eu salte do meu assento por não está usando cinto de segurança.
—É uma pena que você nunca mais vai encontrá-lo, querida. —Diz em tom sombrio, parando frente a uma residência antiga.
— Onde estamos? — Aurora pergunta sonolenta, acordando de sua inconsciência forçada.
Torço meu rosto em uma careta, observando as características nada agradáveis da residência.
— Onde estamos? — Aurora questiona, parecendo recuperar a consciência aos poucos.
— Não sei. — Respondo, apertando meu sobrinho mais forte contra meu peito. Pedro estala a língua em um gesto divertido e abre a porta da residência, revelando um ambiente amplo e escuro.
—Está é a casa da qual venho te falando, linda. —Seu tom sai suave, romântico e até apelativo quando olha para a mulher e meu coração morre.
Ele vem falando da casa pra ela? Isso significa que ela sabe de tudo e está de acordo? Sinto um nó se formar em minha garganta.
— Eu...—Pisco, sem saber o que dizer.
Irmã.
— Ela será uma de nós.
Uma de nós.
— O que você quer dizer? — O homem me ignora e adentra a residência com minha irmã nos braços, sumindo na escuridão até que uma luz acende e revela seus perfis próximos da escada.
— Entre e feche a porta, Amélia, ninguém nos encontrará aqui. Vamos começar uma vida nova. — Não posso enxergar seu rosto, mas consigo identificar seu sorriso pela sua voz.
Meu corpo treme e mais uma vez penso em fugir, olhando na direção do carro. Só precisaria fazer uma ligação direta, não deve ser muito difícil. Aperto meus lábios, dividindo meu olhar entre o carro e meu sobrinho em meus braços, então, finalmente lembro que ele tem Aurora à sua mercê. Entro na casa e fecho a porta, tendo a certeza de que esta foi a pior decisão que tomei na vida. No entanto, pela primeira vez estou fazendo algo de acordo com o que acredito ser o certo. Aurora e Arthur são minha família, não posso deixá-los com ele. Não posso.
— Me siga. — É tudo o que ele diz antes de começar a escalar os degraus da escada. Beijo a testa de meu sobrinho e com uma sensação ruim no peito, o sigo. Tudo que consigo pensar é no quanto esse homem conseguiu nos enganar todos esses anos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: INDECENTE DESEJO
Ótimo romance. Intenso como Indecente desejo são excelentes. Parabéns à autora....
Você é excelente escritora, parabéns. Intenso desejo é excelente, dos melhores q li. Este também é muito bom. PARABÉNS....